WASHINGTON - No momento em que o presidente Donald Trump parece colecionar algumas vitórias em pontos polêmicos, a Califórnia, estado mais rico e populoso do país, dá passos para tornar lei a força anti-Trump no estado. Em até dois meses os deputados estaduais devem aprovar o projeto SB 54, que institucionaliza a Califórnia como “estado-santuário”, ou seja, impede que forças policiais locais ajudem os agentes de imigração federal, que estão atrás dos 2,6 milhões de “indocumentados” que vivem na área.
O projeto já foi aprovado pelo Senado estadual da Califórnia, por 27 votos a 12, e deve passar pela Câmara de maioria democrata sem grandes problemas, restando apenas a sanção do governador Jerry Brown.
— As detenções de imigrantes sem antecedentes criminais cresceram 150% — disse Kevin de León, presidente do Senado californiano e autor do projeto.
Desde que Trump foi eleito, as denúncias de violência doméstica de famílias de latinos sem visto para os EUA caíram fortemente, o que indica que as pessoas, sobretudo mulheres e crianças, podem ter passado a sofrer abusos calados, por medo da deportação.
Para criar boa vontade com os republicanos — mais numerosos nas pequenas cidades rurais da Califórnia, o projeto abre duas exceções: quando se tratar de um criminoso violento ou se houver mandado judicial contra o imigrante.
Se virar lei, o projeto poderá ser levado à Suprema Corte americana, por tentar limitar a cooperação entre os estados e a União. O governo de Trump, que promete cortar fundos federais das cidades que se proclamaram santuárias — mas ainda sem lei específica para isso —, seria colocado em xeque, pois muitos argumentam que trata-se de uma perseguição política e que não poderia ocorrer.

