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Brexit, e agora? Possíveis cenários para a saída do Reino Unido da UE

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LONDRES - A primeira-ministra britânica Theresa May foi derrotada na eleição que convocou antecipadamente para tentar fortalecer sua estratégia no processo de saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). O Partido Conservador, cujo líder é a premier britânica, conseguiu o maior número de vagas no Parlamento, mas sem conquistar maioria absoluta. Esse resultado, agora, traz incerteza ao futuro das negociações, diante de possíveis dificuldades para aprovar medidas relacionadas à separação no Legislativo. Aqui vão alguns cenários para o Brexit:

As negociações formais do processo de saída da União Europeia devem começar em 19 de junho, cerca de dois anos antes da efetiva separação, projetada para março de 2019. No entanto, May não tem maioria e as políticas britânicas enfrentam um impasse, o que pode gerar atrasos no cronograma. .

Enquanto May permanece como primeira-ministra, ela não tem um mandato claro para sua interpretação do Brexit que inclui limites à imigração e saída do mercado único europeu.

— Theresa May jogou arrogantemente com nosso Brexit e estragou — afirmou o porta-voz da campanha pró-Brexit, Leave.EU. — Exigimos uma nova liderança imediatamente.

A Alemanha disse que não há tempo a perder na negociação. A França disse que o resultado da eleição não colocaria em questão a decisão de sair do bloco. O líder trabalhista Jeremy Corbyn, principal opositor de May na eleição, afirmou que as negociações devem seguir como planejadas.

No caso de formar um governo de minoria com o apoio do Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, ela então começa a negociar o Brexit com forte dependência de um lado da divisão na Irlanda do Norte e na ala eurocética de seu próprio partido. A habilidade de May conduzir as reformas do Brexit no Parlamento é drasticamente reduzida. Com menos margem para manobra, ela pode ser forçada a rejeitar compromissos propostos pela União Europeia e conduzir uma negociação mais dura.

“A provável limitação da maioria dará uma habilidade para pequenos grupos de parlamentares conservadores possivelmente obstruir legislação”, avalia o banco JP Morgan.

May alertou os embaixadores da União Europeia em janeiro que tentativas de punir o Reino Unido seria um “ato calamitoso de autoprejuízo” para os países europeus. Ela repetidamente disse durante a campanha que estaria preparada para se afastar de conversas sem um acordo.

Um Brexit desordenado sem acordo poderia prejudicar os mercados financeiros, prejudicando a reputação de Londres como um dos dois maiores centros financeiros do mundo e espalhar o caos pelas economias do país e da UE ao deslocar relações comerciais.

“O parlamento suspenso traz tanto um Brexit “suave” (ficar no mercado único) como caótico (sem acordo) mais do que antes, possivelmente até um segundo referendo”, disse o Citigroup em nota. Ainda assim, os analistas esperam um Brexit “duro, mas suave”.

May tem insistido que “Brexit significa Brexit”, mas ainda é incerto quanto tempo ela permancerá no poder ou se outra eleição britânica será convocada. Se as negociações atrasarem muito, e a turbulência política continuar, então o cronograma do Brexit vai cair sobre incertezar e possivelmente minar a confiança econômica.

“Caso May renuncie, as negociações podem atrasar meses devido à contestação de liderança, e possivelmente novas eleições e até mesmo outro processo para desenhar a estratégia de negociação do Reino Unido”, disse o Citi.

Antes de sua derrota na eleição, May disse que queria negociar o divórcio e a futura relação comercial com a UE antes do Reino Unido deixar o bloco em março de 2019, seguindo o que ela chama de processo de implementação em fases para dar a empresários tempo para se preparar para a saíde.

Corbyn, que votou contra a entrada do Reino Unido na União Europeia em 1975, mas a favor da permanência em 2016, disse a eleitores que a questão do Brexit estava resolvida. Ele quer um acordo comercial e garantia dos direitos dos trabalhadores como parte das conversas.

— O quer que aconteça, Theresa May é um brinde. É apenas uma questão de tempo — afirmou Nigel Farage, pró-Brexit. — Honestamente, não sei o que vai acontecer.

Farage disse, no entanto, que teme que Corbyn possa de alguma forma administrar a formação de um governo de minoria que permita um segundo referendo do Brexit. Os liberal-democratas, cujos votos no parlamento poderiam sustentar um governo trabalhista, defendem a posição de que os britânicos poderiam ser capazes de votar novamente sobre os termos finais do acordo com a UE, e permanecer no bloco caso seja rejeitado. A líder do Partido Nacional Escocês (SNP), Nicola Sturgeon, argumenta que a Escócia, onde a maioria votou pela permanência na UE no ano passado, deveria ter o direito de realizar um referendo de independência no fim do processo do Brexit.

— Com alguém que acredita com todo coração e alma, meu medo é que Corbyn forme uma coalizão com o SNP e alguns liberal-democratas e passemos pelas barreiras para um segundo referendo em alguns anos, afirma Farage.

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