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Os levantamentos indicam ainda que o bloco de apoio a Netanyahu, que une partidos de direita, soma 59 ou 60 assentos (varia dependendo do canal). Com isso, faltaria apenas um ou dois para conseguir a maioria e formar governo.>
O bloco de centro-esquerda e árabes, que inclui o Azul e Branco, somou de 54 a 55 cadeiras, segundo as pesquisas. Os números apontam avanço de Netanyahu em relação à última votação, em setembro, quando o Likud teve 32 assentos e o Azul e Branco, 33.>
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Isso ocorreu porque uma das siglas, o Israel Nossa Casa, se recusou a fazer parte da coalizão governista e desde então tem se mantido como independente --na votação desta segunda, as seis cadeiras obtidas pelo partido não estão mais incluídas no bloco de apoio ao premiê.>
Os resultados oficiais devem começar a ser divulgados na noite desta segunda. A expectativa é a de que os partidos de direita se reúnam na manhã desta terça para confirmar ou não seu apoio a um novo governo de Netanyahu.>
O primeiro-ministro reivindicou a vitória no Twitter. "Vencemos graças à nossa crença em nosso caminho e graças ao povo de Israel", escreveu em publicação.>
Seu opositor, Benny Gantz, 60, no entanto, não admitiu a derrota. Também na rede social, agradeceu aos "milhares de ativistas e mais de milhões de eleitores que escolheram o Azul e Branco" e prometeu "continuar lutando pelo caminho certo, por vocês".>
Nesta segunda, os locais de votação ficaram abertos de 7h (2h em Brasília) a 22h (17h). Mais de 6 milhões estavam aptos a votar, e o comparecimento atingiu 71%, nível superior ao das últimas duas votações. Havia temores de que a epidemia do novo coronavírus pudesse desmotivar os eleitores a irem votar, mas isso aparentemente não ocorreu.>
O país, que registrou dez casos da doença, criou seções especiais de votação para pessoas em quarentena.>
Após depositar seu voto, Netanyahu disse que este era um dia de orgulho e convocou os cidadãos. Depois da divulgação da boca de urna, ele publicou "obrigado" em uma rede social. O premiê tem o apoio dos partidos judaicos ultraortodoxos Shas, Judaísmo Unido da Torá e da lista Yamina (direita radical), do atual ministro da Defesa, Naftali Bennett.>
Ao votar na cidade de Rosh Haayin, Gantz, criticou o rival. "Espero que hoje seja o dia de mudar, acabar com a difamação e com as mentiras.">
O Likud foi multado em cerca de 7.500 shekels (R$ 9,660) por espalhar vídeo adulterado de Gantz. Durante a campanha, Netanyahu retratou o rival como covarde, que ficaria dependente do apoio de políticos árabes para governar.>
O Azul e Branco tem o apoio dos partidos de centro-esquerda e poderia receber o respaldo da Lista Unida, que agrega legendas árabes israelenses, grupo que surpreendeu em setembro e se tornou a terceira força do Knesset, o Parlamento de Israel.>
A Lista Unida manteve o terceiro lugar entre os partidos, com 14 assentos, segundo a boca de urna. O partido tenta se beneficiar da frustração entre a minoria árabe israelense (20% da população) com o plano apresentado pelos EUA para solucionar o conflito israelense-palestino, um projeto aplaudido por Israel e rejeitado pelos palestinos.>
A proposta do presidente Donald Trump prevê a conversão de Jerusalém na capital indivisível de Israel e a transferência do controle de uma dezena de vilarejos e localidades árabes israelenses a um futuro Estado palestino.>
Netanyahu centrou a campanha no plano de Trump, prometendo a rápida anexação do vale do Jordão e de colônias israelenses na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel em 1967, como contempla o plano americano.>
Gantz, que também apoia o projeto americano, baseou a campanha nos problemas judiciais do primeiro-ministro, no poder há 11 anos consecutivos (14, se somados três anos em que governou o país durante a década de 1990).>
Nos últimos meses, o processo que investiga o atual primeiro-ministro por corrupção avançou: ele foi indiciado oficialmente pelas acusações de fraude, abuso de poder e quebra de confiança em três casos diferentes. O julgamento está marcado para começar em 17 de março.>
A investigação seguirá mesmo que Netanyahu consiga renovar o mandato. Para obter imunidade, ele precisa de aprovação do Parlamento. Houve uma tentativa em janeiro, mas o primeiro-ministro desistiu do pedido pouco antes da sessão que debateria o caso. Ele poderá tentar de novo se conseguir ampliar sua base de apoio após a votação desta segunda.>
Neste contexto de rivalidade entre Netanyahu e Gantz, o Israel Nossa Casa, que não simpatiza com nenhum dos grandes blocos, pode ser o fiel da balança. Seu líder, Avigdor Lieberman, é um nacionalista laico hostil aos partidos árabes e judeus ortodoxos.>
Ele deve conquistar entre seis cobiçadas cadeiras, mas, como das duas vezes anteriores, não se comprometeu nem com direitistas nem com esquerdistas. Lieberman até se identifica com a direita quando se trata de diplomacia e relacionamento com palestinos. Mas está mais próximo da esquerda sobre a separação entre religião e Estado.>
Israel teve duas eleições em 2019, em abril e em setembro. Nas duas ocasiões, Netanyahu e Gantz tentaram formar governo, mas não conseguiram acordo entre os partidos. Um dos entraves foi que Netanyahu se recusou a abrir mão da liderança do Likud e, por consequência, do cargo de premiê.

