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Barracas elaboradas nas ruas de Washington

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A diferença social existe mesmo entre os sem-teto dos EUA. Ao mesmo tempo em que pessoas vivem precariamente nas ruas, usando papelões para tentar aplacar o forte inverno, muitos começam a ter estruturas relativamente sofisticadas, com um mínimo de conforto. Estabelecidos em barracas de camping, alguns têm até eletricidade.

Na capital, Washington, uma das mais ricas cidades dos EUA, não é incomum ver moradores de rua com celulares e tablets. Algumas das placas que exibem não pedem comida ou dinheiro, e sim baterias ou laptops. Em geral, são mais jovens ou estão há pouco tempo na rua, e não querem se acostumar de vez a esta realidade — sonham em ter de volta uma moradia tradicional.

Jason, que trabalha na construção civil, dorme numa bem equipada barraca de camping na região central de Washington, a cerca de dez quadras da Casa Branca. Pedindo anonimato, conta que foi para a rua por problemas temporários após seu divórcio. Segundo ele, a maior parte das pessoas nesta condição provisória não se acostuma com os albergues, mas usa a estrutura para tomar banho, por exemplo.

— Morar em albergue é muito ruim, é assumir que você é um fracassado — diz ele em sua barraca nas ruas de Washington, onde uma em cada cem pessoas vive nas ruas. — Mas eu não estou morando na rua, estou aqui provisoriamente. Tive alguns problemas com meu divórcio, mas em pouco tempo me arrumo.

James Hutson vive num ambiente limpo, com estrutura e equipamentos elétricos funcionando graças a uma bateria. Também se recusa a ir para os albergues:

— Há muita gente má por lá. Muitos dizem ter problemas mentais, mas, na verdade, estão ouvindo demônios.

Nacionalmente, segundo estatísticas do governo, 17 em cada dez mil americanos são sem-teto. O problema em algumas cidades é tão grande que governos buscam soluções. Nova York, por exemplo, tem convertido hotéis decadentes em abrigos temporários para a população de rua, que não para de aumentar. Na maior cidade dos EUA há 76.501 sem-teto, algo comparável à população do bairro carioca de Botafogo.

Matthew Doherty, diretor-executivo do Conselho Interagências dos Estados Unidos sobre os Desabrigados, afirma que o órgão está focado em garantir abrigo a todos os veteranos das Forças Armadas. Mas crê que o maior desafio é ser capaz de fornecer oportunidades suficientes de habitação e serviços para atender a esta necessidade.

— A expansão do fornecimento de habitação e a acessibilidade financeira são fundamentais para que as comunidades possam criar a escala de oportunidades necessárias.

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