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Bandeira de Israel em ato pró-Bolsonaro volta a gerar polêmica

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro foi à rampa do Planalto no domingo (3) para prestigiar um ato contra o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e o ex-ministro Sergio Moro. Atrás dele, tremulavam as bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos -e também de Israel. A bandeira azul-e-branca aparece com frequência nos atos desse governo. O uso do símbolo incomoda parte da comunidade judaica e de setores ligados a Israel, que reclamam da associação do símbolo de um país que não tem relação direta com a política brasileira. Israel tampouco tem a ver com o posicionamento de Bolsonaro, que vem minimizando o risco do novo coronavírus. O líder israelense, Binyamin Netanyahu, impôs, afinal, duras medidas de confinamento. O grupo Judeus Pela Democracia, por exemplo, publicou no domingo um comunicado em uma rede social protestando contra o “sequestro” da bandeira israelense. Já o Instituto Brasil-Israel divulgou uma mensagem insistindo em que a aparição do símbolo de Israel é contraditória aos valores que ele representa. “O governo brasileiro e os setores que ainda o apoiam têm feito uso dessas bandeiras, mas elas não pertencem a eles”, disse o grupo. O Instituto Brasil-Israel também afirmou, em um texto publicado na rede social Twitter, que a bandeira de Israel não aparece apenas nos protestos favoráveis ao governo. O símbolo também foi utilizado em manifestações contrárias a Bolsonaro, incluindo o movimento conhecido como #EleNão. As objeções ao uso da bandeira israelense pelo governo se somam a outros atritos recentes. Na semana passada, entidades como o Comitê Judeu Americano e a Confederação Israelita do Brasil -além do jornal Times of Israel- criticaram o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ele havia comparado as medidas de isolamento social aos campos de concentração nazistas, em que milhões de judeus foram mortos. Após as críticas, Araújo se recusou a pedir desculpas. Esses episódios dão conta da complicada relação entre o governo conservador de Bolsonaro e Israel. Por um lado, o presidente brasileiro tem tentado se aproximar do governo israelense e contou, em alguns momentos, com o apoio do premiê Binyamin Netanyahu. Bolsonaro é, ademais, próximo do embaixador de Israel em Brasília, Yossi Shelley, ao lado de quem já apareceu em diversos eventos públicos. Com a guinada em direção a Israel, no entanto, o Brasil se afastou de importantes aliados árabes e causou atrito diplomático com a Liga Árabe -levando a ameaças de sanções a produtos brasileiros no Oriente Médio. Essa região é um importante mercado para as exportações brasileiras de carne halal, aquela que cumpre os requisitos do trato e do abate islâmicos. Por outro lado, setores judaicos e israelenses têm demonstrado reticência quanto à aliança simbólica. Em janeiro de 2019 Daniela Kresch publicou uma reportagem no jornal Folha de S.Paulo apontando para o desconforto de alguns judeus com o conservadorismo brasileiro. “Precisamos desse apoio dos evangélicos pelo mundo, inclusive os brasileiros. Mas irrita essa apropriação da nossa bandeira, porque Israel não tem nada a ver com esse fanatismo”, disse à época o ex-cônsul econômico de Israel em São Paulo, Roy Nir-Rosenblatt.

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