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Ataque com 95 mortos no Afeganistão eleva pressão sobre EUA no país

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CABUL - A explosão de uma ambulância-bomba no centro de Cabul ontem deve aumentar a pressão sobre o presidente Ashraf Ghani e os Estados Unidos, pondo em dúvida a confiança na atual estratégia militar conjunta mais agressiva contra os insurgentes talibãs nas principais províncias do Afeganistão. Com 95 mortos e 158 feridos, este foi o terceiro grande ataque terrorista apenas este mês no país, que enfrenta uma onda de atentados com centenas de vítimas. O diretor de comunicação do governo afegão, Baryalai Hilali, denunciou a recente investida talibã como um “crime contra a Humanidade” e advertiu que o número de mortos pode aumentar, pois há vários feridos em condição crítica.

O ataque aconteceu diante de um dos postos de controle na entrada de uma avenida que dá acesso a várias instituições: o Ministério do Interior, a sede da polícia, a delegação da União Europeia, além de embaixadas de países como Suécia e Holanda. Segundo o ministério, quatro suspeitos foram detidos na investigação sobre o atentado de ontem, o mais violento desde a detonação de um carro em maio do ano passado (com 150 mortos, 400 feridos).

O Alto Conselho da Paz, responsável pelas negociações com os talibãs, atualmente suspensas, acredita que era o principal alvo do ataque. O governo suspeita da rede terrorista Haqqani, ligada aos insurgentes e instalada na fronteira com o Paquistão.

— O suicida usou uma ambulância para passar pelos postos de controle. No primeiro deles, disse que transportava um paciente para o Hospital Jamuriat — explicou Nasrat Rahimi, porta-voz do Ministério do Interior. — O veículo estava estacionado no hospital, tentou passar pelo segundo posto até o Ministério do Interior, o Alto Conselho da Paz, mas o terrorista foi detectado pela polícia e detonou os explosivos.

O hospital mais próximo, administrado pela instituição de caridade italiana Emergency, ficou sobrecarregado com a quantidade de feridos e enviou pacientes para outros estabelecimentos, ao mesmo tempo que dispôs leitos no chão. A zona do ataque estava cheia de pedestres, pois sábado é considerado um dia útil no país.

— Muitas mulheres e crianças foram mortas ou feridas, porque estavam fazendo filas do lado de fora do Departamento de Passaporte — afirmou Sediqullah Popalzai, autoridade de Segurança Nacional. — Era impossível identificar os mortos que estavam próximos à ambulância. Havia corpos destroçados por todo o lugar. Foi uma cena muito trágica e devastadora.

A explosão perto de órgãos do governo levanta dúvidas sobre a eficácia da estratégia do governo do presidente americano, Donald Trump, de endurecer a ação militar no Afeganistão. Em agosto, os Estados Unidos anunciaram o envio de mais três mil soldados para apoiar o Exército afegão e a concessão de mais autonomia às operações americanas contra o Talibã e outros grupos terroristas no país, que também tem sido alvo de atentados do Estado Islâmico (EI).

Responsável pela missão, o general John Nicholson descreveu o papel americano como determinante, e disse que o Afeganistão “virou a página” em seu longo combate contra extremistas. No entanto, os talibãs negam que tenham se enfraquecido pelo plano conjunto, e os últimos atentados demonstram que a capacidade para executar ataques mortais permanece inalterada.

Este mês, o Talibã foi responsável pela ação contra um hotel de luxo no centro de Cabul, que deixou 22 mortos. Já o EI deixou três mortos ao atacar a sede da ONG Save the Children em Jalalabad. Em dezembro, o grupo matou 40 ao executar três explosões contra um centro cultural xiita em Cabul.

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