Ataque aéreo de forças da Etiópia deixa 64 mortos na região do Tigré

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

24/06/2021 17h05 — em Mundo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio a um conflito que se prolonga há meses na Etiópia, um ataque aéreo de forças do governo a um mercado na terça (22) deixou ao menos 64 mortos e 180 feridos em Togoga, na província do Tigré.

O levantamento provisório foi elaborado pela população e por líderes locais, que também acusam o Exército etíope de impedir o acesso de socorristas à região para transferir feridos a um hospital em Mekele, capital da província ao Norte do país. Até esta quinta (24), 73 feridos haviam sido encaminhados para o centro médico, e, de acordo com testemunhas, dezenas de vítimas seguem sob os escombros.

O conflito teve início em novembro do último ano, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed Ali, anunciou uma ofensiva militar contra a Frente de Libertação Popular (FLPT), partido nacionalista que governa a região do Tigré. Ele justificou a medida acusando as tropas adversárias de atacar uma base militar do governo para roubar armas e outros equipamentos bélicos.

Desde então, a província é palco de uma série de enfrentamentos armados que, segundo estimativas da ONU (Organização das Nações Unidas), já levaram 350 mil pessoas à beira da fome e milhões a abandonar suas casas rumo a outros países, em especial o Sudão.

O Exército etíope confirmou o ataque de terça, mas disse que a operação mirava combatentes ligados às autoridades do Tigré, versão contrariada por testemunhas, para quem apenas civis estavam no mercado.

Em comunicado enviado ao governo da Etiópia nesta quinta, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, condenou o ataque e pediu que o governo libere o acesso dos socorristas à região. "Negar atenção médica com urgência às vítimas que necessitam é cruel e inaceitável", afirmou no documento.

A porta-voz da ONU Stephane Dujarric disse que o secretário-geral da organização, o português António Guterres, está profundamente consternado. "Solicitamos acesso à área para avaliar a situação e ver como podermos prestar assistência. A situação na região é muito, muito difícil."

O papa Francisco também expressou preocupação com os enfrentamentos armados e pediu fraternidade. "As diferenças étnicas e de lutas por poder se transformaram em um sistema", declarou o pontífice.

É em meio a esse cenário que, na segunda (21), os etíopes votaram para eleger novos parlamentares e líderes regionais. O pleito estava marcado inicialmente para agosto de 2020, mas foi adiado em razão da pandemia de Covid-19, que matou 4.292 pessoas no país até esta quarta (24), de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

O Partido da Prosperidade, legenda do atual primeiro-ministro, é o favorito para obter a maioria dos votos. Ainda assim, a figura do premiê tem sido questionada desde o início dos conflitos no Tigré, especialmente por Abiy Ahmed ter ganho o Prêmio Nobel da Paz em 2019 com um discurso contra a guerra.

Mas a eleição, cujos resultados ainda não foram divulgados, deve se prolongar pelos próximos meses, já que 20% dos distritos eleitorais do país não puderam realizar a votação devido a fatores como violência ou problemas logísticos. Os habitantes dessas regiões devem votar em 6 de setembro.

Na província do Tigré, onde segue o conflito mais grave, a votação também não foi realizada nos 38 distritos eleitorais, e o governo nacional ainda não divulgou uma nova data.


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