BUENOS AIRES - Na reta final da campanha eleitoral equatoriana e com a maioria das pesquisas indicando uma disputa acirrada entre o governista Lenín Moreno e o opositor Guillermo Lasso, ex-chefes de Estado reunidos na Iniciativa Democrática da Espanha e das Américas (Idea) expressaram sua preocupação pela democracia do país. A iniciativa ocorreu dias depois de o governo do presidente Rafael Correa ter ordenado a expulsão de Lilian Tintori, mulher do líder opositor venezuelano Leopoldo López, preso desde 2014.
As denúncias de fraude no primeiro turno continuam pairando sobre o país, e a oposição tem afirmado que, com uma diferença tão estreita entre os dois candidatos, o risco de irregularidades no segundo turno, que será realizado no próximo dia 2 de abril, é grande. O alerta tem sido feito pelo próprio Lasso e, também, por jornalistas locais como Emilio Palacio, exilado há vários anos nos EUA por conflitos judiciais com o governo Correa.
— No primeiro turno, a roubalheira de votos foi impressionante. Agora a oposição precisa obter uma diferença ampla, caso contrário vão roubar a eleição — disse Palacio ao GLOBO.
De acordo com pesquisa da Cedatos, Lasso está em primeiro lugar com 44,2% das intenções de voto, contra 42,8% de Moreno, ex-vice de Correa. Já a CMS mostrou o candidato do governo em primeiro lugar, com 36,76% dos votos, contra 35,85% de Lasso.
Numa campanha sem debate presidencial e com poucas propostas, a agenda eleitoral está dominada por acusações de corrupção contra funcionários do governo. Existe grande expectativa, alimentada pelo próprio Correa, sobre a divulgação da lista de membros do governo que teriam recebido propina da Odebrecht. No sábado, Correa disse que os nomes seriam revelados esta semana pela oposição, em parceria com a CIA.
A Odebrecht pagou cerca de US$ 33,5 milhões em propinas no Equador. A empresa está negociando um acordo com o governo, mas, segundo o presidente, o entendimento seria inviável.
— A Odebrecht está pedindo coisas realmente impossíveis no marco constitucional do Equador e, mesmo se fossem possíveis, seriam imorais. O Brasil, lamentavelmente, claudicou, com todo respeito, diante das pretensões da Odebrecht, mas aqui não acontecerá a mesma coisa — declarou Correa.

