Início Mundo Artigo: Um futuro diferente sem o ex-líder para vê-lo
Mundo

Artigo: Um futuro diferente sem o ex-líder para vê-lo

Envie
Envie

O século XX da América Latina acabou ontem com a morte de Fidel Castro. Embora estivesse afastado do poder há mais de uma década, personificava a Revolução Cubana e a era de insurreições da Guerra Fria. A ilha governada por seu irmão Raúl se defronta com um contexto externo complexo, com a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e o colapso da Venezuela, seu principal fornecedor de petróleo.

O regime cubano sobreviveu à queda da União Soviética porque realizou reformas econômicas, encontrou novos parceiros diplomáticos e mostrou alguma flexibilidade ideológica. Fidel deu postos-chave a jovens tecnocratas que abriram a economia ao investimento estrangeiro (ainda que de forma restrita, e sempre em sociedade com o Estado) e autorizaram a criação de pequenos negócios como restaurantes familiares, os paladares. O comércio com União Europeia, China e Canadá preencheu o vácuo dos subsídios do antigo bloco comunista e Cuba reencontrou ambiente regional favorável com a ascensão de governos de esquerda na América Latina.

Não ocorreu mudança política de abrangência comparável, mas a reforma constitucional de 1992 marcou transformações no Partido Comunista, com menos marxismo e mais nacionalismo. Houve também a reaproximação com a Igreja Católica, com visitas de três Papas à ilha — João Paulo II, Bento XVI e Francisco. O Vaticano tem sido crucial para o desenvolvimento de uma sociedade civil autônoma frente ao regime autoritário.

O voto cubano-americano foi importante para a vitória de Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, mas ele não deve alterar a política de normalização das relações diplomáticas iniciada por Barack Obama, porque a iniciativa goza de amplo apoio naquela comunidade. A perspectiva de suspensão do embargo que vigora desde a década de 1960 e do retorno dos investimentos dos Estados Unidos aponta para um futuro muito diferente para a ilha. Simbólico que Fidel não viva para vê-lo.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?