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Artigo: Trump atropela seus assessores...mais uma vez

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Pela segunda vez na mesma semana, o presidente Donald Trump está no centro de uma polêmica, desta vez por compartilhar informações altamente confidenciais com a Rússia numa reunião da semana passada no Salão Oval. E, pela segunda vez na semana, manifestou-se em sua própria defesa de uma forma inteiramente inútil e contraditória.

Trump se explicou na manhã desta terça-feira assim pelo Twitter:

"Como presidente eu quis compartilhar com a Rússia (em uma reunião aberta planejada na Casa Branca), o que eu tenho o direito absoluto de fazer, fatos relativos a terrorismo e a segurança de voos. Razões humanitárias, e além disso eu quero que a Rússia aumente sua luta contra o Estado Islâmico e o terrorismo", escreveu Trump no Twitter.

Mas, como reporta Ashley Parker para o “Post”, este é um grito distante da melodia que os altos conselheiros da Casa Branca cantavam no fim de segunda-feira. Assim como na semana passada, aparentemente, agora vemos o presidente basicamente contradizendo sua própria equipe numa grande polêmica.

A Casa Branca encarregou o conselheiro de Segurança Nacional, H.R. McMaster , na noite de segunda-feira a emitir um comunicado. McMaster disse que a matéria do “Post”, que revelou a notícia, é falsa. A vice-conselheira de Segurança Nacional, Dina Powell, também negou a história.

— A matéria é falsa — disse ela. — O presidente apenas discutiu as ameaças comuns que ambos os países enfrentam.

Nos tuítes de Trump, no entanto, nós vemos a tácita confirmação da história. Trump não nega nada, como fizeram McMaster e Powell. Pelo contrário, ele está dizendo que estava dentro dos seus direitos legais de compartilhar as informações com a Rússia.

Como eu já disse ontem, a declaração de McMaster não era realmente a completa negação, uma vez que não discutiu reais detalhes sobre o caso. Mas foi uma tentativa de rechaçar os relatos, e Trump não está seguindo esta linha.

O mais importante é que a frase usada por Trump “eu tenho o direito absoluto de fazê-lo” parece ser uma clara referência ao compartilhamento de informações confidenciais. Se ele estivesse falando em linhas gerais sobre o combate ao terrorismo, não precisaria usar estes temos. Ele enfatizou que a autoridade presidencial lhe dá o direito de compartilhar estas informações — o que é amplamente verdadeiro — de um jeito que revela o tipo de informação que foi compartilhada.

Não há razão para destacar a autoridade presidencial para compartilhar informações se se tratasse do tipo de caso afirmado pelos assessores de Trump. Os comentários do presidente podem não contradizer diretamente McMaster e Powell, mas eles certamente o contradizem em espírito. E eles fazem perguntar, em primeiro lugar, por que a Casa Branca tentou dizer que a história era falsa.

Esta é, claro, a segunda vez que isso aconteceu na última semana. Na semana passada, os porta-vozes da Casa Branca se manifestaram para explicar as circunstâncias da demissão do diretor do FBI James Comey. Citaram a forma como lidou com a investigação sobre Hillary Clinton e dizzeram que a decisão veio do Departamento de Justiça. Na quinta-feira, no entanto, Trump jogou toda a história pelos ares, dizendo em uma entrevista à NBC News que havia decidido demitir Comey antes mesmo de receber a recomendação do Departamento de Justiça. Ele também admitiu que a investigação do FBI sobre a Rússia — e os seus possíveis laços com a sua campanha — estava na sua mente quando tomou a decisão.

Em ambos os casos, a Casa Branca buscou se distanciar de questões potencialmente problemáticas relacionadas à Rússia. Em ambos os casos, Trump totalmente passou por cima das mensagens dos seus vários altos conselheiros e basicamente confirmou a história prejudicial que estavam tentando rebater.

Se você é McMaster ou Powell, precisa se perguntar por que foi encarregado de negar a história originalmente. Estes são experientes profissionais de política externa, que colocam sua própria crebilidade em risco quando falam pelo presidente. Se eles negam a história, esperam que o presidente os apoie. No entanto, mais uma vez, ele provou que é capaz de dizer qualquer coisa que desejar, mesmo que isso prejudique a imagem das pessoas ao seu redor.

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