WASHINGTON — Se as pesquisas estiverem certas, Emmanuel Macron, de 39 anos, deve se tornar o presidente mais jovem da história da França, mas isso não fez dele o candidato dos jovens.
Mais da metade dos eleitores entre 18 e 24 anos escolheu, no primeiro turno, a ultra-direitista Frente Nacional de Marine Le Pen ou o candidato apoiado pelos comunistas Jean-Luc Mélenchon — e Macron amealhou um terceiro lugar com 18% das intenções de voto, segundo uma pesquisa Ipsos pouco antes da votação de 23 de abril.
Apesar de suas pretensões em não fazer parte do establishment, aos olhos da juventude descontente da França, Macron não é um agente de mudança. O candidato centrista, que foi banqueiro e ministro no governo de François Hollande, advoga pelo aprofundamento do papel da França na União Europeia, o que só afasta o lote de jovens eleitores que não querem continuidade.
— Essa geração de eleitores cresceu na era da crise financeira, só conhecem austeridade e elites que arruinaram seu futuro — diz o analista Jean-Philippe Dubrulle, do instituto de pesquisas Ifop. — Macron é visto como parte da elite, parte do sistema.
Muitos desses jovens eleitores devem se abster no segundo turno, mas Macron está se esforçando para interagir com eles: semana passada, depois de uma entrevista de duas horas na TV, ele passou num programa ao vivo muito popular entre os jovens, brincou com o apresentador e terminou dizendo: “não importa o que aconteça, vão votar”.

