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Artigo: A Rússia e seus vários inimigos

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O governo russo foi cuidadoso nas horas após o ataque ao metrô de São Petersburgo. O porta-voz de Vladimir Putin disse que “a causa estava sendo verificada”, enquanto Andrei Prjezdomsky, o chefe do comitê antiterrorista do país, afirmou que se tratava de um “artefato explosivo não identificado”. O procurador-geral acrescentou mais tarde que se tratava de um “ato terrorista”.

Há pouca dúvida de que o que aconteceu foi um ato de terrorismo. O Estado Islâmico sem dúvida vai reivindicar “crédito” como faz rotineiramente em todas as atrocidades similares. Mas permanece pouco claro por enquanto quais dos muitos inimigos da Rússia foram responsáveis pela carnificina.

Instalações ferroviárias já foram atingidas antes na Rússia. No metrô de Moscou, 38 pessoas morreram num ataque suicida duplo em 2010. Outra explosão no ano anterior cobrou 27 vidas e deixou mais de 130 feridos no Expresso Nevsky de Moscou para São Petersburgo. O primeiro ataque foi inicialmente reivindicado por nacionalistas de extrema-direita e depois por islamistas, chamando a si próprios de “Mujahedins do Cáucaso”, que estavam combatendo o Kremlin nas antigas repúblicas da Ásia Central soviética. Também se acredita que o grupo foi responsável pelo ataque de 2010 no metrô. Grandes números de islamistas do Cáucaso tinham ido juntar-se à sangrenta guerra civil na Síria. Um dos mais eficazes chefes militares do EI, que teve um papel-chave nos êxitos iniciais do grupo lá e no Iraque, era Abu Omar al-Shishani, de origem chechena e georgiana, morto num ataque aéreo dos EUA em julho passado no Iraque. O presidente Putin deu o alarme sobre a ameaça de que eles retornassem para realizar ataques na Rússia como uma das razões para a intervenção militar no conflito dois anos atrás.

A Rússia também tem sido acusada de ação letal encoberta para conter os islamistas. Uma série de mortes de homens da antiga União Soviética ocorreu do lado turco da fronteira com a Síria. As 12 vítimas eram chechenos, uzbeques e tadjiques, comunidades que acusam Moscou de orquestrar os assassinatos.

O EI e a Frente al-Nusra, a filial da al-Qaeda na Síria, têm declarado repetidamente que irão levar a jihad à Rússia. Mas eles não são os únicos a fazer ameaças. Em 2012, durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, o príncipe Bandar bin Sultan, então chefe da Inteligência saudita, supostamente teria dito a Putin que chechenos islâmicos estariam planejando ataques na Rússia, a menos que o Kremlin parasse de apoiar Assad.

Não há, é claro, nenhuma evidência de envolvimento saudita em qualquer ataque à Rússia, mas o fator sírio pode ter desempenhado um papel no que aconteceu em São Petersburgo. Putin destacou que “mais de 2 mil combatentes da Rússia e de ex-repúblicas soviéticas estão no território da Síria” e que eles poderiam ser uma “ameaça ao voltar ao país”. Assim, “em vez de esperar o seu regresso, estamos lutando contra eles em território sírio”. A explosão de ontem poderia ser um lembrete de que a luta não pode sempre ter lugar em outro país.

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