A decisão, que ainda precisa ser aprovada pelo Executivo, é uma retaliação ao ataque realizado por Washington contra o aeroporto de Bagdá na última sexta (3). A ação deixou dez mortos, incluindo o general iraniano Qassim Suleimani e o líder de uma milícias iraquiana pró-Teerã, Abu Mahdi al-Muhandis.
O projeto aprovado pelo Legislativo iraquiano determina ainda que tropas estrangeiras não podem usar o território e os espaços aéreo e aquático do país de nenhuma forma.
Considerado um herói nacional no Irã, o general recebeu homenagem de iraquianos, que fizeram uma marcha carregando o caixão por Bagdá, neste sábado (4), sob gritos de morte aos EUA
A resolução foi aprovada durante uma sessão extraordinária no Parlamento iraquiano, transmitida ao vivo pela televisão estatal e acompanhada pelo primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi -que renunciou no fim de 2019, mas que continua no cargo até seu sucessor ser escolhido.
O premiê já havia recomendado ao Parlamento que discutisse o fim da presença estrangeira no país o quanto antes. "Apesar das dificuldades internas e externas que devemos enfrentar, é melhor para o Iraque", disse Mahdi.
Assim, não está claro se ele de fato expulsará os militares, se vai usar essa ameaça para negociar com a Casa Branca uma retirada planejada ou se deixará o assunto para o sucessor.
O texto aprovado afirma que governo deve "se comprometer a revogar seu pedido de assistência da coalizão internacional que luta contra o Estado Islâmico devido ao fim das operações militares no Iraque e à conquista da vitória".
Atualmente, cerca de 5.000 militares americanos estão no Iraque, atuando principalmente no treinamento das tropas locais.
A última grande operação de Washington no país ocorreu entre 2014 e 2017, quando milhares de soldados foram enviados para ajudar na luta contra o Estado Islâmico (EI).
Com a decisão do Parlamento, a coalizão liderada pelos Estados Unidos para lutar contra o EI na região afirmou que vai interromper suas atividades temporariamente.
Segundo o jornal The New York Times, o comando dos EUA afirmou que as atividades serão pausadas e revistas depois de ataques a bases americanas e iraquianas nas últimas semanas -em um deles, um segurança privado americano foi morto. A prioridade das tropas, a partir de agora, será fortalecer seus postos.
O ministério das Relações Exteriores do Iraque também convocou, neste domingo (5), o embaixador dos EUA para tratar do ataque americano em solo iraquiano que resultou na morte do general Suleimani.
O órgão afirmou que a ação foi "uma violação da soberania do Iraque e de todas as normas internacionais que regulam a relação entre dois países".
Bagdá também apresentou uma queixa ao Conselho de Segurança da ONU contra "ataques americanos".
O corpo do do general Qassim Suleimani foi recebido no Irã neste domingo (5) por centenas de milhares de pessoas em meio a manifestações contra o país americano.
