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Após ampliar gastos militares, Trump vai ao Congresso defender Orçamento

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WASHINGTON - O discurso de terça-feira à noite de Donald Trump em uma sessão conjunta do Senado e da Câmara marcará o início de uma nova fase de seu governo. Se o republicano administrou suas primeiras cinco semanas ancorado em atos executivos e em seus tuítes, agora a negociação política com o Congresso passa a ser crucial. A primeira batalha será a votação do Orçamento, que teve um aceno bilionário para os militares. Os recursos deverão ser pagos às custas de verbas ambientais e de ajudas americanas ao exterior.

— Depois de um discurso inaugural e um primeiro mês de mandato tumultuosos, Trump tem uma excelente oportunidade para recompor sua Presidência diante de uma audiência de milhões — disse Aaron Kall, diretor de debates da Universidade de Michigan e autor de um livro sobre os discursos dos presidentes no Congresso, lembrando que esta é a grande chance de ele impulsionar sua agenda legislativa.

O Orçamento deve ser a tônica do discurso, segundo Trump. A proposta de ampliar em US$ 54 bilhões os gastos militares — uma alta de 9,3%, que equivale acrescentar na verba do setor o mesmo que Itália, Israel e Iraque destinam, somados, à Defesa por ano — foi bem recebida por seus partidários. Se a proposta passar, o orçamento militar dos EUA — que já é maior que a soma dos recursos para o setor de China, Rússia, Arábia Saudita, Índia, Reino Unido, França, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Austrália e Brasil — chegará a US$ 639,3 bilhões, ou mais de um terço de tudo que se gasta com Defesa no mundo por ano, diz o “El País”, com base em dados do IISS Military Balance.

— Antes dizíamos que os Estados Unidos jamais perdiam uma guerra. Agora não ganhamos nenhuma, isso é inaceitável. Temos que voltar a vencer guerras — disse Trump, em um encontro com governadores na Casa Branca.

Fontes do governo informaram a jornais americanos que o aumento dos gastos com a Defesa será compensado com drásticos cortes na verba da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) e em verbas de cooperação internacional. Apesar de formalmente estar apenas na fase final da guerra contra o terror no Afeganistão e auxiliando forças nacionais no Iraque, Trump afirmou que é preciso enfrentar o “ninho de vespas” que se tornou o Oriente Médio, prometendo acabar com o Estado Islâmico:

— Este Orçamento será de segurança pública e segurança nacional. Vamos incluir um aumento dos custos de Defesa para reconstruir o Exército militar dos EUA em um momento em que mais precisamos dele — acrescentou Trump, afirmando que isso ajudará a economia, pois “aviões, navios, armamentos” serão feitos por americanos.

Mas Trump terá que combinar isso com ao menos outras três promessas de campanha que estão congeladas: o fim do Obamacare e a definição de um substituto para os 20 milhões de americanos que utilizam o programa de saúde, cortes em impostos e o plano trilionário para infraestrutura, além do debate sobre o déficit fiscal. A falta de avanço nestes itens até agora mostra a pouca habilidade de Trump para negociações com o Congresso. E a opinião pública cobrará resultados rápidos, uma vez que os republicanos têm o controle das duas casas legislativas.

Trump disse que o sistema de saúde estava em risco de implodir. Segundo ele, a reforma tributária que prometeu é “um grão de areia” perto do que precisa fazer na saúde. E o discurso inaugural ao Congresso — anunciado por sua equipe como o mais importante de sua História até agora — será fundamental para criar uma chance de avanços concretos de sua agenda.

O presidente, no entanto, enfrentará resistências. Democratas planejam levar ao menos quatro imigrantes ilegais — que estão na mira de Trump em seu esforço para acelerar as deportações — para ouvir o discurso direto do Capitólio. A oposição deve advertir contra possíveis cortes de cortar gastos sociais, que beneficiam aos pobres, para ter margem para reduzir impostos aos americanos ricos.

— É claro que o projeto de Orçamento do presidente Trump pretende romper suas promessas às famílias trabalhadoras — disse Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado.

E mesmo republicanos que aplaudirão o discurso do presidente não concordam com tudo o que ele pretende fazer, como manter intactos os gastos de seguridade social e do Medicare, programa de remédios do governo federal, segundo o “New York Times”. Governadores que se encontraram com Trump também estão preocupados com uma eventual elevação de seus gastos com saúde.

Seu discurso também está sendo ofuscado pela pressão dos democratas para abrir uma investigação independente sobre as supostas relações entre a campanha de Trump e a Rússia, acusada de usar a espionagem para influenciar nas eleições. O presidente da Comissão de Inteligência da Câmara, o republicano Devin Nunes, disse que isso poderia significar uma “caça às bruxas".

— Não há nenhuma evidência até agora que estes contatos ocorreram — disse o deputado governista.

Adam Schiff, o principal democrata na Comissão, contestou:

— Nem sequer começamos a sentar com o FBI para falar sobre o que eles olharam, com quem conversaram, quais pistas foram seguidas — disse. — A realidade é que não sabemos se houve contatos de russos com funcionários da campanha de Trump.

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