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Apoiadores do Talibã celebram saída dos EUA com caixões com bandeiras de países ocidentais

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Um dia depois de os Estados Unidos anunciarem o fim da retirada das tropas militares do Afeganistão, após 20 anos de ocupação, apoiadores e membros do Talibã se reuniram em algumas cidades do país asiático para celebrar o que chamaram de "dia da liberdade".

Em uma das imagens registradas, a multidão desfila carregando caixões cobertos com bandeiras dos EUA, de países europeus e da Otan (aliança militar ocidental que apoiou a ocupação no país e, em 2014, anunciou o fim de sua missão de combate no Afeganistão).

A comemoração foi registrada em Khost, capital da província afegã de mesmo nome, localizada no leste do país, a 230 quilômetros de Cabul e próximo à fronteira com o Paquistão. Ainda foram vistos no local caixões cobertos com as bandeiras da França e do Reino Unido.

Parte da multidão também ergueu armas, enquanto outros agitavam bandeiras do Talibã ou gravavam a celebração pelos celulares. Em Cabul, na própria segunda, já haviam sido ouvidos tiros e fogos de celebração depois da decolagem do último avião americano.

"31 de agosto é o nosso dia oficial da Liberdade. Neste dia, as forças de ocupação americanas e as forças da Otan fugiram do país", disse o oficial do Talibã Qari Saeed Khosti a uma estação de televisão local, segundo a agência Reuters.

Nesta segunda-feira (30), os EUA concluíram a retirada de suas tropas do país. A ocupação começou semanas após os atentados de 11 de Setembro de 2001, como retaliação pelo fato de o país dar abrigo a grupos terroristas como a Al Qaeda, responsável pelo ataque.

Desde outubro de 2001, foram 160 mil mortes (das quais 2.298 soldados americanos, 3.814 mercenários, 1.145 aliados e o restante, afegãos), segundo estudo da Universidade Brown (EUA). A guerra custou US$ 2,26 trilhões, número que o Pentágono coloca na casa de US$ 1 trilhão.

Agora, com a saída das forças armadas estrangeiras, os afegãos vivem um dilema quanto ao futuro do país nas mãos do Talibã, que já governou o país entre 1996 e 2001. No poder, o grupo foi acusado de reprimir opositores com tortura e morte e restringiu diversas liberdades civis. Mulheres, por exemplo, eram proibidas de frequentar escolas e universidades.

Agora, o Talibã promete um governo moderado, mas episódios recentes envolvendo a morte de artistas e controle da imprensa mostram contradições nesse discurso. As ações nos próximos meses dirão se o grupo fundamentalista conseguirá apoio da comunidade ocidental.

Nesta terça (31), Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã, reforçou o interesse em manter "boas relações com os Estados Unidos e com o mundo". "Saudamos boas relações diplomáticas com todos", disse.

Por enquanto, o Talibã recebeu acenos de russos e chineses.

Em meio à crise, resta saber como ficará a economia do país e a vida do povo afegão. Nesta terça, António Guterres, secretário-geral da ONU, advertiu para a possibilidade de uma catástrofe humanitária no Afeganistão e pediu para que os Estados-membros da ONU disponibilizem "financiamento oportuno, flexível e amplo" para responder à situação do povo no Afeganistão.

Ele lembrou também que "quase metade da população afegã, 18 milhões de pessoas, precisa de ajuda humanitária para sobreviver".

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