Por Marta Nogueira
BELO HORIZONTE, 25 Ago (Reuters) - A AngloGold Ashanti retomou neste mês a operação da segunda planta do Complexo Industrial de Queiroz, em Nova Lima (MG), permitindo que a empresa volte a processar internamente todo o concentrado de ouro produzido a partir de suas minas no Brasil, reduzindo a necessidade de exportar parte do material, afirmou à Reuters o presidente da AngloGold Ashanti Latam, Luis Lima.
Com a reativação da unidade, a partir de investimentos de cerca de R$105 milhões neste ano, o complexo retorna à sua capacidade total instalada de cerca de 280 mil toneladas de concentrado processado por ano.
A empresa já havia retomado a Planta 1 em 2024, com capacidade de processar cerca de 140 mil toneladas por ano de concentrado. Ambas as plantas foram paralisadas em 2022, principalmente por necessidade de adequações relacionadas ao tratamento de efluentes, disse Lima.
O executivo da AngloGold Ashanti -- conhecida como a indústria mais longeva do Brasil, com 192 anos de atuação no país -- informou que parte do concentrado das minas era vendida no mercado, enquanto apenas uma das plantas estava em funcionamento.
"A verticalização do nosso negócio foi o grande motivo (da retomada)", disse Lima, a jornalistas, durante participação no congresso de mineração Exposibram.
A AngloGold afirma ser a única produtora de ouro no país a integrar 100% de todas as etapas produtivas do ouro. A companhia opera as minas subterrâneas Cuiabá e Lamego, em Minas Gerais.
Além do ouro, a planta de Queiroz produz ácido sulfúrico, insumo utilizado pela agricultura e pela indústria. Segundo a empresa, a capacidade de produção do coproduto é de cerca de 240 mil toneladas por ano.
Embora o preço do ouro esteja em patamares historicamente elevados, Lima disse que a empresa busca basear suas decisões de investimento em cenários de longo prazo e em ganhos de eficiência operacional, em vez de oscilações de curto prazo do mercado.
(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)




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