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Analistas políticos preveem impacto da morte de ativista em eleições na Argentina

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BUENOS AIRES — Depois de mais de dois meses de mistério, o corpo do artesão Santiago Maldonado, de 28 anos — desaparecido em um protesto de apoio à causa dos indígenas mapuche — finalmente foi reconhecido pela família na sexta-feira. O cadáver, encontrado na terça-feira em um rio na Patagônia, no Sul da Argentina, foi reconhecido por seu irmão, Sergio, num caso que deve causar impacto nas eleições de domingo.

— Vimos o corpo e reconhecemos suas tatuagens. Estamos convencidos de que é Santiago — disse Sergio, minutos após sair do necrotério, em Buenos Aires.

O cadáver foi descoberto no rio Chubut, a poucos metros de onde Maldonado foi visto pela última vez, na comunidade Pu Lof de Resistência, no dia 1º de agosto — durante um protesto dispersado por forças de seguranças. A Justiça agora investiga se a Gendarmeria (força militar, responsável pela fronteira) está envolvida no crime, como denunciaram testemunhas.

Soraya Maicoño, porta-voz da comunidade, garantiu que o cadáver encontrado no rio “foi plantado”.

— Há dois ou três dias não estava ali, decididamente — afirmou à Radio Rivadavia.

A repercussão, nacional e internacional, que o desaparecimento ganhou pode impactar as eleições, acreditam analistas. Na quarta-feira, um dia depois da localização do corpo, candidatos suspenderam as campanhas.

— Talvez o caso mova um ou dois pontos na província de Buenos Aires, numa eleição em que um voto pode garantir um senador a mais — afirmou Patricio Giusto, da consultora Diagnóstico Político, à AP. — O governo não lidou bem com o caso, num país em que o tema dos direitos humanos atravessa todas as classes sociais e partidos políticos.

Roberto Bacman, do Centro de Estudos de Opinião Pública, concorda com ele:

— Na província, o caso pode realmente ter impacto, porque é onde as primárias de agosto foram mais acirradas.

Mariel Fornoni, da Management & Fit, advertiu que uma parte do eleitorado que o governo tenta atrair pode desistir de votar devido ao caso.

Em Buenos Aires, Cristina Kirchner concorre contra o macrista e ex-ministro da Educação Esteban Bullrich. Enquanto ela é uma das principais críticas do governo na forma como o desaparecimento do artesão está sendo tratado, o candidato governista quase não falou no assunto. Nas redes sociais, internautas pedem a demissão da ministra da Segurança, Patricia Bullrich, tia de Esteban.

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