BUENOS AIRES — Muitos argentinos se perguntam se o resultado das eleições de amanhã poderia se transformar no primeiro passo para o retorno de Cristina Kirchner ao poder. Para a escritora Beatriz Sarlo, um dos grandes nomes da literatura argentina contemporânea, a resposta é taxativa: de forma alguma. Em entrevista ao GLOBO, Sarlo assegurou que “aconteça o que acontecer, Cristina está na reta final de sua carreira política”.
Repito o que disse há dois anos: Cristina já é carta fora do baralho. Ela já não é uma influência decisiva no Partido Justicialista (PJ) nem o será quando o partido se reorganizar. E isso é assim independentemente do resultado desta eleição.
Sim. É claro que participará de negociações, é ex-presidente. Mas não é uma figura decisiva. Ela manteve e mantém relações ruins com dirigentes peronistas. Já está no fim da carreira política.
Sim, ela tem esse voto em Buenos Aires, que não é algo menor. Considero o voto do coração, dos que se sentiram, com razão, beneficiados por seu governo. Com isso, pode-se vencer na província, mas não é suficiente para o que virá depois. Se o peronismo conseguir se reorganizar, com conteúdos populistas como os grandes partidos, Cristina não tem chances de ocupar um lugar central. Tampouco está claro se o peronismo conseguirá liberar-se do estigma da corrupção. Para isso deve reconhecer que houve uma corrupção atroz no governo anterior.
De forma alguma. Mas outros dirigentes talvez sim. Nem todo mundo está disposto a acompanhá-la até a porta da prisão.
Acho que em alguns processos, como os que envolvem operações de lavagem de dinheiro em seus hotéis, há provas contundentes. São processos sólidos. Não podemos esquecer que o ex-presidente Carlos Menem chegou a ser preso.
Sim, mas poderá, eventualmente, perder a imunidade.
Logicamente, deve demonstrar que manda no país e é a principal força nacional. A questão é saber se poderá impedir a reorganização do peronismo e, mais ainda, captar setores e armar uma plataforma de centro-direta nacional.
Já se fala de 2019, isso é insólito num país como a Argentina. Mas acho que não é real. Macri é um grande administrador, mas um homem muito ignorante, fala de forma superficial sobre conceitos essenciais.

