Nova York — Nenhuma nação do planeta tem a capacidade de substituir os Estados Unidos como mediador em negociações entre Israel e a Palestina, que são uma zona de influência americana, assim como o Líbano é da França e a Síria, da Rússia. Mesmo os americanos têm sido incapazes, ao longo de todo este século, de conseguirem avanços para resolver o conflito. Desde Camp David, em 2000, há uma sucessão de fracassos de governos em Washington na mediação. Tampouco há incentivos para israelenses e palestinos fazerem concessões neste momento com o objetivo de chegar a um acordo de paz, cada vez mais distante.
Ainda assim, alguns nomes vêm sendo citados como possíveis substitutos dos EUA. O primeiro deles é o de Emmanuel Macron, presidente da França, devido ao seu sucesso na resolução da crise libanesa provocada pela Arábia Saudita. Outro é o de Vladimir Putin, presidente da Rússia, que tem boas relações com Israel e os palestinos. O Papa Francisco também é mencionado por ter conseguido negociar a guerra civil da Colômbia e aproximar Cuba e os EUA durante o governo de Barack Obama. A China, importante parceiro comercial de Israel e Palestina, seria outra opção. Por último, há o rei Abdullah, da Jordânia, que é respeitado nos dois lados.
Os palestinos possivelmente aceitariam e até prefeririam a mediação de muitos destes atores, vistos como mais neutros do que os EUA, considerados pela Autoridade Palestina como tendo um viés pró-Israel não apenas com Donald Trump como também em governos anteriores. Já o governo do premier Benjamin Netanyahu certamente não tem interesse em trocar o presidente americano por algum líder destes outros países.
Primeiro porque França, Jordânia e o Vaticano, embora respeitados em Israel, são considerados como mais favoráveis aos palestinos. A China e a Rússia tampouco têm o mesmo peso de Washington em Jerusalém. Em segundo lugar, a relação entre os EUA e Israel é única no mundo. Os americanos concedem uma ajuda anual de US$ 3,8 bilhões, defendem os israelenses no Conselho de Segurança da ONU e Israel desfruta de uma imagem positiva entre os americanos, tendo o apoio não apenas de republicanos como também de democratas. A maior população judaica do mundo fora de Israel vive nos EUA — curiosamente, Hillary Clinton teve o triplo de votos de Trump entre os judeus americanos, segundo levantamento do Pew Research.
Terceiro, se as relações entre EUA e Israel sempre foram especiais, elas se aprofundaram ainda mais e são excelentes atualmente com Trump no poder, após anos de atrito entre Obama e Netanyahu. Israel, junto com a Rússia, é um dos raros países onde a imagem de Trump tem índice favorável. O premier israelense sabe que o presidente americano compartilha da sua visão para o futuro da região.
Por último, Israel, apesar de alguns episódios de violência de palestinos, não enfrenta uma intifada, como no começo da década passada. A economia tem avançado e o país se transformou em um dos polos tecnológicos globais. Os israelenses também pela primeira vez desfrutam de boas relações, ainda que não oficiais, com a Arábia Saudita e alguns outros países do Golfo. Estas nações árabes veem Netanyahu como um aliado contra o Irã, considerado por estes países como a principal ameaça ao Oriente Médio. Basicamente, o regime de Teerã é visto como inimigo e Israel como parceiro em Riad e algumas outras capitais árabes.
A tendência, portanto, é o conflito entre israelenses e palestinos prosseguir no status quo, com as negociações congeladas, como já estavam antes mesmo da declaração de Trump. Nem Francisco, nem Macron e nem Putin conseguirão alterar este cenário.

