O presidente Donald Trump, como seus predecessores, pode descobrir que nem negociações nem pressão militar e econômica obrigam a Coreia do Norte a abandonar seu programa nuclear. E que os Estados Unidos não têm escolha a não ser tentar contê-lo e dissuadir o líder Kim Jong-un de usar uma arma nuclear algum dia.
Autoridades dos EUA reconhecem que nenhum plano existente para um ataque preventivo poderia prometer a prevenção de um brutal contra-ataque pela Coreia do Norte, que tem milhares de peças de artilharia e foguetes. Em um reconhecimento implícito de que as opções militares contra o Norte são impalatáveis na melhor das hipóteses e pírricas na pior, o secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, disse a repórteres na semana passada: “Nós nunca ficamos sem soluções diplomáticas.”
Nos EUA e na Ásia, autoridades acreditam que é necessário tentar negociações e mais pressão econômica, mas admitem ser improvável que travem — e muito menos eliminem — os programas nuclear e de mísseis que a Coreia do Norte considera essenciais para a sua sobrevivência. Isso deixa Washington e seus aliados em Coreia do Sul, Japão e qualquer outro lugar com uma pergunta indesejada: há modo de conviver com uma Coreia do Norte nuclearmente armada, contida e dissuadida a não usar seu arsenal? A única alternativa à ação militar, disseram atuais e ex-autoridades em condição de anonimato, é uma certa combinação de contenção e dissuasão parecida com os tratados de controle de armas que ajudaram a evitar uma guerra nuclear entre EUA e União Soviética.
Dentre as opções dos EUA para fortalecer seu poder de dissuasão está a modernização, há muito tempo planejada, da forças nucleares americanas, que assegurariam que a Coreia do Norte seria destruída se disparasse um míssil nuclear contra os EUA, uma base militar americana, Japão ou Coreia do Sul. Outra opção é o aumento dos investimentos em interceptadores de mísseis. Os dois passos teriam de evitar acionar novas corridas armamentistas com Pequim e Moscou, dizem os especialistas.
Não há sinal de que a Casa Branca, que espera que a pressão possa mudar os cálculos do Norte, está pronta para uma estratégia de contenção. Apesar do pessimismo sobre conversas, uma autoridade dos EUA disse que havia uma chance de que a pressão econômica, especialmente da China, combinada com um acordo de negociação, poderia convencer Pyongyang a limitar seu arsenal nuclear. A pergunta que fica, no entanto, é se Trump estaria disposto a se contentar com isso.
“Disciplina e firmeza não são palavras que alguém usa normalmente em uma frase que também tem o nome Donald Trump”, disse Robert Einhorn, ex-autoridade do Departamento de Estado que já negociou com a Coreia do Norte. “Ele reconheceria, com o tempo, que pode não ter escolha?”

