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Alemanha pede calma e respeito ao direito de protestar no Irã

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BERLIM — Após 13 mortes em confrontos entre manifestantes e forças de segurança no Irã, o ministro alemão das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, expressou sua preocupação nesta segunda-feira e apelou ao governo iraniano para que respeite os direitos das pessoas. Os protestos com dezenas de milhares de pessoas são os maiores no Irã desde a revolta em 2009, que seguiu à questionada reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad. Preocupado com os distúrbios, o Ministério de Assuntos Exteriores do Bahrein pediu a seus cidadãos que não viajem para o Irã “sob nenhum pretexto”, enquanto a Rússia, por sua vez, criticou indiretamente as declarações do governo americano, afirmando que as manifestações são um “caso interno” do Irã.

— Nós apelamos ao governo iraniano para que respeite os direitos dos manifestantes para se reunirem e pacificamente levantarem as suas vozes — disse Gabriel. — Após os confrontos nos últimos dias, é ainda mais importante que todos os lados se abstenham de ações violentas.

Os confrontos tomaram conta do Irã desde a última quinta-feira, e novas manifestações voltaram a tomar as ruas de Teerã no começo da noite, novamente com uma forte presença policial. Na capital, 200 pessoas foram detidas, e outras 200 acabaram presas em diferentes cidades da província. Enquanto a imprensa estatal divulgava imagens de manifestantes incendiando prédios públicos, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, voltou a ameaçar o uso da força contra os “agitadores e os que descumprirem a lei” e reagiu às novas críticas de Donald Trump. Rouhani chegou a ligar para o chefe de Estado americano.

Em reunião com deputados iranianos, na segunda-feira, Rouhani pediu calma e instou a unidade nacional, enquanto seu governo tenta lidar com o levante espontâneo generalizado que se espalhou pelo país. O presidente reforçou que os iranianos tinham o direito de protestar legalmente, mas criticou os “agitadores”, a quem chamou de uma pequena minoria.

— A crítica não é o mesmo que a violência, que destruir os bens públicos. Isso deveria ficar claro para o mundo: somos uma nação livre e, em virtude da Constituição, o povo é absolutamente livre para expressar suas críticas e inclusive para protestar — disse, tentando minimizar o significado de protestos. — Nossa grande nação testemunhou uma série de incidentes semelhantes e soube lidar com eles confortavelmente. Isso não é nada.

Mais cedo, em novas críticas ao governo iraniano, Trump afirmara que é “tempo de mudança” no Irã e que a população do país estava “com fome de liberdade”. “Os regimes opressivos não podem durar para sempre, e chegará o dia em que o povo iraniano enfrentará uma escolha”, tuitou. “O Irã está falhando em todos os níveis, apesar do terrível acordo feito com eles pelo governo Obama”.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores russo acrescentou que “a interferência externa que desestabiliza a situação é inaceitável”, mas reiterou que espera que os protestos “não se desenvolvam sob o cenário de derramamento de sangue e violência”.

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