A fuga da prisão de Alcatraz, em junho de 1962, permanece como uma das mais impressionantes e enigmáticas da história dos Estados Unidos. Três detentos — Frank Morris e os irmãos John e Clarence Anglin — conseguiram escapar da fortaleza isolada na Baía de São Francisco usando cabeças falsas feitas de papel higiênico, sabão e cabelo humano para enganar os guardas, além de um bote inflável artesanal feito com capas de chuva. Até hoje, seu paradeiro é desconhecido, e a polícia mantém o caso aberto.
Alcatraz, conhecida como “A Rocha”, funcionou entre 1934 e 1963 como prisão federal de segurança máxima. Situada em uma ilha, era considerada praticamente inexpugnável devido à sua localização cercada por águas frias e fortes correntes. Mais de 1.500 presos passaram por lá, incluindo criminosos perigosos e especialistas em fugas, como Morris e os irmãos Anglin, que haviam sido transferidos para a prisão em 1960 e 1961, respectivamente.
O plano da fuga começou a ser elaborado meses antes, em dezembro de 1961. Os presos reuniram materiais para a construção de um bote inflável, remos e coletes salva-vidas dentro da prisão, aproveitando um espaço no teto do bloco de celas para montar uma oficina secreta. Para isso, usaram lâminas de serra velhas, colheres roubadas do refeitório e um motor improvisado de aspirador de pó para abrir buracos nas paredes, disfarçando o barulho com música — Frank Morris tocava acordeão durante o expediente musical.
Com mais de 50 capas de chuva costuradas e seladas com vapor quente, eles montaram o bote inflável e os coletes salva-vidas. Na noite da fuga, em 11 de junho, o grupo escalou nove metros usando a rede de canos da prisão, acessou o telhado e desceu pela chaminé da padaria. Allen West, que ajudou no plano, não conseguiu escapar e foi deixado para trás. Os três fugitivos pularam as cercas da prisão e colocaram o bote na água, inflando-o com um instrumento modificado similar a um acordeão.
A fuga foi descoberta apenas na manhã seguinte, quando os guardas encontraram cabeças falsas feitas com papel higiênico, sabão e cabelo humano sobre as camas. Começaram as buscas, com barcos patrulhando a baía e agentes federais investigando a região. Foram encontrados alguns pedaços dos remos e um colete salva-vidas caseiro na Angel Island, a cerca de 3 km de Alcatraz, mas nenhum sinal dos fugitivos.
Em 1979, o FBI encerrou a investigação oficial, concluindo que o trio provavelmente morreu afogado nas águas frias da baía, cuja temperatura média é de 12°C, e que os corpos teriam sido arrastados para o Oceano Pacífico. No entanto, o fato de nenhum corpo ter sido encontrado alimentou teorias conspiratórias e levantou dúvidas sobre o destino real dos fugitivos. O Serviço de Delegados dos EUA mantém o caso aberto até hoje, e os nomes dos fugitivos continuam na lista dos mais procurados.
Nos últimos anos, o mistério voltou a ganhar atenção com novas evidências. Em 2015, um documentário do History Channel indicou que os irmãos Anglin teriam fugido para o Brasil, com sobrinhos mostrando cartões postais e fotos da família no país. Em 2018, uma carta atribuída a John Anglin, enviada anos antes ao FBI, afirmava que os três tinham sobrevivido, mas a autenticidade do documento foi contestada pelas autoridades. Paralelamente, o presidente Donald Trump anunciou planos para reabrir Alcatraz como prisão, mas ainda não há data para isso.








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