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Ala republicana mais conservadora ataca reforma do Obamacare

WASHINGTON - Acostumado a ser criticado pelos progressistas, Donald Trump está começando a enfrentar, pela primeira vez desde eleito à Casa Branca, pressão de grupos conservadores. Diversos políticos e entidades criticaram a proposta de reforma do sistema de saúde apresentada por deputados republicanos e apoiada pelo presidente americano. Muitos afirmam que o projeto é na verdade um “Obamacare light”, em referência ao programa que marcou o primeiro mandato do ex-presidente Barack Obama e cujo fim era uma obsessão dos republicanos.

— Este é Obamacare light não vai passar, os conservadores não vão aceitar — afirmou o senador republicano Rand Paul em entrevista à FoxNews.

O deputado republicano Jim Jordan (Ohio) disse ao site “The Hill” que este “é um Obamacare com um formato diferente”, e afirmou que o partido precisa fazer algo realmente novo, já que agora está na Casa Branca. O senador John Thune, de Dakota do Sul, admitiu que a legenda está dividida sobre o tema. Ainda na noite de segunda-feira, quando o projeto dos deputados foi apresentado, quatro senadores republicanos se opuseram ao texto, afirmando que ele diminuiria a cobertura atualmente existente no Obamacare, que atende a cerca de 20 milhões de americanos. O novo projeto troca subsídios por créditos fiscais, mas tende a não ser tão abrangente e dar descontos menores para os mais pobres.

Grandes organizações de defesa do conservadorismo se apressaram a denunciar a legislação. O Clube para o Crescimento criticou a proposta e afirma que foi prometido na campanha o fim do Obamacare, e não uma transformação do plano democrata. A Americans for Prosperity apelidou o projeto de “Obamacare 2.0”.

— Esta será a maioria parlamentar mais curta da era moderna se não conseguirem revogar completamente o Obamacare — afirmou Tim Phillips, presidente da Americans for Prosperity, indicando que conservadores podem levar seu descontentamento às urnas.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, tentou minimizar as críticas:

— Este projeto é uma melhora dramática em relação ao status quo — disse.

Em um tweet na manhã de terça-feira, Trump descreveu o projeto como “maravilhoso” e, em um evento, voltou a elogiar a proposta apresentada pelos deputados:

— Estou orgulhoso de apoiar o plano lançado pela Câmara — disse.

Já Nancy Pelosi, líder da oposição na Câmara, disse que é um absurdo os republicanos tentarem votar o projeto sem que esteja concluído o impacto orçamentário da proposta. Eles também querem outros tipos de estudo, como o impacto na cobertura e no atendimento médico.

O Congresso começou a avançar nas investigações sobre a eventual participação da Rússia em vazamentos que acabaram auxiliando a campanha de Trump. A Agência Central de Inteligência (CIA) forneceu documentos das investigações que fez a membros do Congresso.

— Vi quatro pastas cheias de informações confidenciais que foram disponibilizadas para a Comissão de Inteligência do Senado — afirmou o senador republicano John Cornyn.

Enquanto isso, a Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes marcou as primeiras audiências para investigar o caso. Serão ouvidos ex-integrantes de órgãos de Inteligência do governo de Barack Obama, que em janeiro afirmaram ter provas da interferência russa na divulgação de comunicações de membros do Partido Democrata.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou que o presidente não conversou com o diretor do FBI, James Comey, depois que este indicou que não vai abrir uma investigação para apurar a denúncia — até agora sem provas — feita por Trump, que acusou Obama de tê-lo grampeado.

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