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Ajuda entra em Gaza após 'pausa', mas ONU alerta ser 'gota no oceano'

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Após a ''pausa tática'' nos ataques israelenses na Faixa de Gaza, caminhões de ajuda humanitária começaram a entrar no território desde neste domingo (27). A ONU, no entanto, alerta que as entregas são apenas uma ''gota no oceano'' do que é necessário em Gaza.

Até neste domingo, insumos de mais de 120 caminhões já haviam sido coletados para distribuição. Outros 180 entraram no enclave e aguardavam a coleta dos materiais pela ONU e organizações internacionais. Centenas ainda estão na fila, segundo o COGAT (Coordenador de Atividades Governamentais de Israel nos Territórios).

Nas últimas 24 horas, 14 palestinos morreram de desnutrição. À agência WAFA, fontes médicas informaram que dois deles eram crianças. Com isso, o número total de mortes por fome subiu para 147, atualizou o Ministério da Saúde de Gaza.

A ONU comemorou o aumento do acesso à ajuda, mas diz que ainda é insuficiente. O chefe de ajuda humanitária do órgão, Tom Fletcher, falou à BCC que as entregas foram um começo, mas é preciso ''muito mais'' para a população. Segundo ele, uma ''atrocidade do século 21'' está se desenrolando diante de nossos olhos.

Ataques continuam em meio à ''pausa humanitária''. A agência de defesa civil de Gaza disse que 16 pessoas foram mortas pelas forças israelenses nesta segunda-feira. De acordo com o correspondente Tareq Abu Azzoum, do jornal Al Jazeera, é possível ouvir o som dos caças de Israel no céu.

PAUSA MILITAR É PARA APENAS ALGUMAS ÁREAS

Pausa entrou em vigor neste domingo às 10h e vai até às 20h no horário local (4h às 14h no horário de Brasília). A medida acontece após semanas de pressão internacional para envio de ajuda aos palestinos, que têm sofrido com desnutrição e sem acesso a comida ou água potável.

Três áreas diferentes do enclave têm ataques paralisados para receber os alimentos, segundo o Exército. Os caminhões vão passar por Deir al-Balah, no centro; al-Mawasi, no sul, e pela Cidade de Gaza, no norte.

Corredores humanitários também foram feitos para permitir a distribuição de ajuda, segundo Israel. O país, que bloqueou qualquer entrada de ajuda em Gaza entre março e maio, continuou atribuindo à Organização das Nações Unidas a responsabilidade pela fome no local. "Esperamos que a ONU colete e distribua os alimentos, sem atrasos ou desculpas", disse o Ministério das Relações Exteriores do país em nota.

Além dos mortos pela fome, país contabiliza mais de 1.000 mortos tentando coletar ajuda humanitária. A maioria dessas vítimas foi baleada ao se aproximar de pontos de distribuição de comida.

Cem mil crianças com menos de dois anos têm risco de morrer nos próximos dias se a ajuda humanitária não entrar. O número alto tem relação direta com a "completa falta de leite e de suplementos nutricionais", segundo o governo palestino. Entre as crianças em risco estão 40 mil bebês com meses de vida.

Guerra em Gaza se aproxima dos dois anos. Um ataque terrorista do grupo Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023, causou a morte de 1.219 pessoas, em sua maioria civis israelenses, segundo contagem da AFP. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva que causou pelo menos 59.733 mortes em Gaza, também em sua maioria civis palestinos.

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