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Agroconsult vê área de soja estável no Brasil em 26/27, se guerra acabar logo

Agroconsult vê área de soja estável no Brasil em 26/27, se guerra acabar logo
Agroconsult vê área de soja estável no Brasil em 26/27, se guerra acabar logo

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 25 Mar (Reuters) - A área plantada com soja no Brasil deverá registrar certa estabilidade em 2026/27, mas a confirmação desse cenário base depende bastante dos impactos da guerra no Golfo Pérsico, se ela vai se prolongar ou não, avaliou nesta quarta-feira a Agroconsult.

O Brasil, maior produtor e exportador global de soja, geralmente começa o plantio de soja a partir de meados de setembro.

O país tem repetidamente ampliado a área ano após ano, mas as consequências da guerra, que elevam custos de produção com fertilizantes e combustíveis, por exemplo, agregam incertezas no setor produtivo, que já lida com dificuldades com o crédito, margens de lucro mais baixas e taxas de juros elevadas.

"Estamos bem preocupados, confesso que nos 30 anos que acompanho o setor... confesso que nunca vi tantos pontos soltos para serem amarrados", afirmou o CEO da Agroconsult, André Pessôa.

A fala foi feita durante apresentação dos resultados do Rally da Safra, que indicou nova colheita recorde para o Brasil em 2025/26, estimada em 184,7 milhões de toneladas, um crescimento de 6,7% em relação ao ciclo anterior.

Caso a guerra se prolongue e diante de um cenário de crédito complicado para os produtores, pode haver redução de investimentos em insumos e também queda na área plantada, disse o especialista.

"Não dá para dizer qual cenário vai prevalecer, o cenário base, e ele não é 100%... seria de certa estabilidade na área ou pequeno crescimento residual na área em alguns Estados, mas é um cenário bem preocupante...", disse Pessôa, citando a indefinição decorrente da guerra.

Enquanto isso, muitas decisões vão sendo postergadas, destacou ele.

Outra variável "chave" é a questão de crédito agrícola em função da percepção de riscos aumentados.

Ele disse que os produtores já lidam com margens mais apertadas, com preços mais pressionados pela abundância de safras como a do Brasil.

Destacou também que há uma alavancagem elevada no setor brasileiro de grãos.

"Em que pese a dívida total não esteja aumentando, como a geração de caixa tem diminuído pelos preços versus custos, tem alavancagem maior. Isso se transforma em risco maior para os fornecedores de crédito", ponderou, citando também o custo do dinheiro e o nível alto das taxas de juros.

"Margem estreitas, com taxas de juros muito altas, persistentemente altas, trazem complicador para crédito", afirmou, acrescentando que a situação pode piorar, dependendo dos impactos da guerra nos mercados.

Do ponto de vista de oferta e demanda, ele disse que os fundamentos não justificariam cenários de preços tão altos para a soja, lembrando do recorde obtido pelo Brasil em 2025/26 e também a expectativa de que os Estados Unidos elevem a área plantada com soja em 2026/27.

"Quando olha para cenário mais provável de preços, voltando aos fundamentos, tirando a guerra, não tem razão para termos preços melhores do que os sinalizados", disse. "E os custos estão subindo, custos de fertilizantes, combustíveis, defensivos, fretes, acaba estreitando mais a margem, o cenário base é de margens mais estreitas", destacou.

(Por Roberto Samora)

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