Por Mark Gleeson
ATLANTA, 10 Jul (Reuters) - A participação africana na Copa do Mundo chegou ao fim com a eliminação de Marrocos na última quinta-feira, mas o continente pode se orgulhar de seus resultados na edição de 2026, mesmo que não tenha nenhuma seleção entre as quatro semifinalistas.
O continente teve nove de seus dez times passando da fase de grupos, comemorou junto com o resto do mundo o conto de fadas do pequeno Cabo Verde e esteve perto de causar grandes zebras, deixando escapar vantagens preciosas a poucos minutos do fim das partidas.
No Catar, quatro anos atrás, Marrocos se tornou a primeira seleção africana a chegar às semifinais, mas no formato ampliado para 48 equipes no Canadá, no México e nos EUA, foi eliminado nas quartas de final — em ambas as ocasiões, perdeu para a França.
Sempre se esperava que os norte-africanos fossem fortes candidatos, especialmente depois de darem um susto no Brasil na estreia da fase de grupos e eliminarem a Holanda nos 16 avos de final.
O Egito foi a segunda melhor seleção africana, vencendo sua primeira partida em Copas do Mundo e avançando para as oitavas de final, nas quais derrotava a Argentina por 2 x 0 a 11 minutos do fim, mas acabou perdendo por 3 x 2 em meio a polêmicas envolvendo o VAR.
Deixar escapar vantagens decisivas também custou caro à República Democrática do Congo, à Costa do Marfim e a Senegal, que vencia por 2 x 0 a cinco minutos do fim contra a Bélgica, antes de cair na prorrogação.
Esperava-se que Senegal liderasse a campanha africana, com um elenco impressionantemente forte, mas cometeu erros terríveis ao perder suas duas primeiras partidas contra a França e a Noruega e nunca se recuperou do abalo à sua confiança.
“A eliminação foi um fracasso. Tínhamos qualidade para chegar mais longe. Mas não conseguimos”, disse o goleiro Édouard Mendy.
“Uma competição desse nível exige uma profunda introspecção. Não apenas uma análise superficial, mas um exame honesto e rigoroso de tudo o que foi feito... verdades incômodas costumam ser as que mais impulsionam o progresso”, disse, insinuando de forma enigmática a insatisfação nos bastidores.
Provavelmente foi a única seleção africana que voltou para casa com a sensação de ter ficado aquém do esperado, embora também exista um sentimento de “o que poderia ter sido” para a República Democrática do Congo, que vencia a Inglaterra nos 16 avos de final até Harry Kane marcar dois gols no final da partida.
A Costa do Marfim também lamentará a oportunidade desperdiçada ao deixar o norueguês Erling Haaland sem marcação a poucos minutos do fim e pagar um preço alto.
Os feitos heroicos de Cabo Verde, com seu goleiro Vozinha, de 40 anos, sendo celebrado ao redor do mundo, foram fundamentais para uma das partidas mais emocionantes de um torneio repleto de confrontos eletrizantes.
Depois de ter empatado com ex-campeões da Copa do Mundo — Espanha e Uruguai — na fase de grupos, a equipe saiu duas vezes de uma situação de desvantagem para forçar a atual campeã Argentina a ir para a prorrogação nos 16 avos de final em Miami, antes de finalmente sucumbir por 3 x 2.
A seleção foi aclamada ao retornar ao arquipélago, recebida por multidões que se aglomeravam nas ruas.
“Toda aquela gente, todo mundo estava tão feliz”, disse Sidny Lopes Cabral, cujo gol contra a Argentina está entre os melhores do torneio. “Eles nos disseram que não havíamos perdido de verdade. Claro, fomos eliminados, mas o que mostramos contra a Argentina foi como uma vitória para eles.”
Argélia, Gana e África do Sul também avançaram para o mata-mata. Apenas a Tunísia ficou fora. Ela demitiu o técnico Sabri Lamouchi após a derrota por 5 x 1 para a Suécia na estreia, mas o substituto, Hervé Renard, não conseguiu resgatar a campanha.
O futebol africano agora se volta para duas edições consecutivas da Copa de Nações, com a fase final de 2027 marcada para o próximo mês de junho no Quênia, na Tanzânia e em Uganda. Também está prevista uma edição em 2028, antes do torneio ser disputado a cada quatro anos.
A próxima Copa do Mundo também será parcialmente sediada em território africano, com Marrocos como co-anfitrião ao lado de Portugal e Espanha.



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