O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) deu mais um passo no sentido de proteger os periquitos de asa branca (brotogeris versicolorus) que pernoitam na avenida Ephigênio Salles, zona Centro-Sul de Manaus, com a colocação de placas de sinalização no canteiro central da avenida.
O intuito é alertar os motoristas para o fato de que o local é rota de migração desta espécie de ave e abrigo das mesmas, logo os motoristas devem reduzir a velocidade na região e evitar atropelamentos e colisões com as árvores onde os pássaros repousam.
Para quem passa pela avenida Ephigênio Salles percebe logo a nova sinalização. As placas estão colocadas desde o dia 26 de dezembro de 2014. Elas exibem um indivíduo da espécie periquito de asa branca e o apelo “Reduzam a velocidade. Abrigo de aves silvestres”.
Segundo Eduardo Rodriguez, nutricionista, que reside na zona Centro-Sul e que sempre passa pela avenida, a colocação das placas foi uma ação relevante. “Essa foi uma boa iniciativa do IPAAM, porque é uma forma de proteger essas aves, mas a redução da velocidade nessa área é uma questão que depende da consciência de cada um”, disse.
De acordo com o Presidente do IPAAM, Antônio Ademir Stroski, “a instalação das placas é mais uma das medidas de proteção dos periquitos para evitar a perturbação da espécie. Outras medidas já foram tomadas ainda em dezembro como a distribuição de folhetos para moradores daquela localidade e a poda das árvores do canteiro central, pois estes pássaros não utilizam somente as palmeiras para pernoitar, mas também as árvores do canteiro central”, explicou.

No dia 27 de novembro de 2014, cerca de 200 periquitos amanheceram mortos e chocaram a população de Manaus com centenas de manifestações também pelas mídias sociais originadas de Manaus, outros estados e até de outros países. No mesmo dia, o Instituto coletou 40 cadáveres para procedimentos de necropsia e exames toxicológicos visando diagnosticar se o que teria levado à mortandade em massa era envenenamento e se este era natural ou criminoso.
Enquanto aguardava o resultado dos exames toxicológicos realizados na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Instituto deu início a outras medidas investigativas como a tese de colisão de veículos com as árvores do canteiro central da avenida, derrubando as aves em grande quantidade. Ainda determinou a retirada das telas que cobriam as palmeiras em frente ao condomínio Ephigênio Salles e promoveu uma reunião com os representantes de todos os condomínios da região para apuração de fatos que pudessem elucidar o caso.
No dia 20 de dezembro, o laudo do exame toxicológico enviado pela UFMG descartou totalmente envenenamento pelos chamados “venenos de rato” ou “chumbinhos”, mas foram encontrados níveis residuais de três agrotóxicos que, segundo a Dra. Marília Martins Melo, responsável pelo exame, podem significar contaminação por alimento como fruta, grão ou outro alimento agrícola onde possa ter sido utilizado tais agrotóxicos, mas não resolve a causa morte das aves.
Os agrotóxicos encontrados foram aletrina, fenazaquina e ciromazina, sendo este o mais ocorrente e usado para combater a mosca da fruta nas lavouras.
Como o exame toxicológico não apontou a causa morte dos periquitos, a própria universidade se dispôs a prosseguir pesquisando outras amostras para avaliar diferentes doenças virais e microbiológicas ou mesmo contaminação por metais pesados como mercúrio, chumbo, cadmio e arsênio. O IPAAM segue, portanto, na parceria com a UFMG para os exames propostos e prossegue com a investigação.
O presidente do IPAAM lembrou que quaisquer fatos estranhos ou suspeitos devem ser denunciados ao órgão pelo fone 2123-6774 e acrescentou que a equipe de fauna prossegue monitorando a área e estudando o comportamento dos pássaros e a relação dos homens com as aves.
Fotos: Divulgação/Ipaam



