A Argentina tem um prazo até 29 de março para apresentar um plano de pagamento de US$ 1,33 bilhão a um grupo de credores. Um tribunal de recursos de Nova York decidiu na sexta-feira (1º/3) que o governo argentino tem de apresentar uma fórmula em "termos precisos" para saldar a dívida pendente há 11 anos, de acordo com o jornal The New York Times e a agência Reuters .
Os credores, liderados pela N.M.L Capital, subsidiária da Elliott Management, de Nova York, rejeitaram planos de reestruturação da dívida, propostos pela Argentina em 2005 e 2010, para o pagamento de uma dívida total de US$ 102 bilhões, resultante da moratória declarada pela Argentina em 2002.
Segundo o New York Times , 93% dos credores aceitaram esses planos de reestruturação, em que cada dólar da dívida foi reduzido a US$ 0,35 e o prazo de pagamento foi estendido até 2038.
Em primeira instância, o juiz Thomaz Griesa de Manhattan decidiu que a Argentina não pode pagar apenas uma parte de sua dívida. E que a Argentina tem a obrigação de pagar a dívida total aos detentores dos títulos públicos, que também são conhecidos como "fundos abutres" ( vulture funds ). São assim denominados porque estão em mãos de instituições que se dedicam as especular com a dívida de países que quebraram.
Em um pronunciamento no Congresso argentino na sexta-feira, a presidente Cristina Kirchner declarou que a Argentina pode pagar esses "fundos abutres", mas somente dentro dos termos e condições que já foram aceitos pelos demais credores.
Na sexta, o tribunal de recursos de Nova York ordenou à Argentina que apresente um plano que explique como e quando vai saldar a dívida, que taxas de juros vai pagar e as garantias que pode oferecer.
O problema maior da Argentina não é pagar a dívida de US$ 1,33 bilhão, mas o precedente que pode ser aberto com o pagamento. O país provavelmente tem recursos para resolver essa situação em particular. Entretanto, se o fizer, todos os credores que aceitaram os planos de reestruturação da dívida em 2005 e 2010, no termos propostos à época pela Argentina, vão se sentir prejudicados. E podem, assim, entrar na Justiça americana para obter as mesmas condições de pagamento conseguidas pelas detentoras dos "fundos abutres". Mas a principal credora, a Elliot, que tem ativos no valor de US$ 20,7 bilhões, "quer conversar" com os argentinos, de acordo com a Reuters .

