Início Justiça & Direito Especialista em processar desafetos vai à Justiça para tirar ConJur do ar
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Especialista em processar desafetos vai à Justiça para tirar ConJur do ar

O juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível de São Paulo, determinou o bloqueio do site da Consultor Jurídico caso a revista eletrônica mantenha no ar reportagens sobre o empresário Luiz Eduardo Auricchio Bottura, condenado 239 vezes por litigância de má-fé. A sentença acolhe pedido de Bottura. O processo movido pelo empresário também tem como alvo os sites globo.com, Google, Yahoo!, UOL, entre outras dezenas de empresas de comunicação.

Na decisão, o juiz determinou ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) a intimação do titular do domínio conjur.com.br para que bloqueie as URLs das reportagens sobre Bottura. Em caso de descumprimento da decisão, o domínio conjur.com.br será congelado (suspenso). Bottura alega que o conteúdo das reportagens é ofensivo.

A decisão deu 30 dias para seu cumprimento, contados a partir do recebimento da intimação. A ConJur , que não é parte no processo judicial, recebeu a notificação do Nic.Br nesta sexta-feira (28/6), por e-mail. A sentença foi proferida na última segunda-feira (24/6).

Bottura é um dos maiores litigantes do Judiciário brasileiro, considerando apenas pessoas físcas. Ao todo acumula cerca de três mil processos contra pessoas e tem contra si quantidade semelhante. Sua tática consiste em se aproveitar da aleatoriedade da Justiça. É como alguém que aposta na loteria todos os dias do ano. Um dia ele acerta.

Desde 2007, ele move ações judiciais contra desafetos, advogados e até magistrados. Sua fábrica de processos foi montada em Anaurilândia (MS). Em 2010, o Conselho Nacional de Justiça o repreendeu por conta da insistência em pedidos de providência contra magistrados do estado.

Naquele ano, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul aposentou compulsoriamente a juíza Margarida Elisabeth Weiler. Ela era acusada de privilegiar Bottura em processos em Anaurilândia.

Em 2011, o empresário foi condenado pela Justiça de São Paulo por ameaçar sua ex-mulher, Patricia Bueno Netto, filha do empreiteiro Adalberto Bueno Netto. Ela pediu a separação após saber que ele era investigado em diversos estados por suspeita de enganar consumidores em compras pela internet.

No ano passado, a Justiça de São Paulo rejeitou a queixa-crime ajuizada por Bottura contra sua ex-mulher e o repórter da ConJur  Alessandro Cristo. Segundo o juiz, faltou justa causa para abertura de ação penal por calúnia e difamação.

Processo 0211519-96.2011.8.26.0100 (583.00.2011.211519)

Leia a comunicação recebida pela ConJur

From: "Assessoria Jurídica" <[email protected]>
Date: 28 Jun 2013 20:15
Subject: Ordem Judicial para congelamento do domínio "conjur.com.br"

Prezados Senhores,

Na   ordem    judicial   extraída    dos   autos   do    processo   nº
0211519-96.2011.8.26.0100, em  curso perante a 27ª Vara  Cível do Foro
Central  da Comarca  de São  Paulo/SP, foi  determinado ao  NIC.br que
proceda a intimação  do titular do domínio "conjur.com.br"  para o fim
de  comunicá-lo da necessidade  de cumprimento  da ordem  judicial que
determinou:

- o bloqueio das  URLs ofensivas ao autor da citada  ação, cujo nome é
Luiz Eduardo Auricchio Bottura.

Sob pena de,  em 30 dias dessa intimação, em  caso de não cumprimento,
ser congelado (suspenso) o domínio "conjur.com.br".

Assim  sendo, serve  a  presente para  intimá-los desta  determinação,
observando  que demais  informações  sobre a  referida ordem  judicial
devem ser obtidas junto aos autos do processo acima citado.

Atenciosamente,

Assessoria Jurídica
NIC.br

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