O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República derrotado neste domingo, 25, afirmou na tarde desta segunda-feira, 26, que vai pedir a cassação da chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que a Polícia Federal (PF) o intimou a entregar os passaportes.
Flávio foi derrotado por Lula em um placar de 51,79% (64,2 milhões de votos) contra 48,21% (59,8 milhões), numa virada histórica em relação ao primeiro turno, quando o bolsonarista terminou a disputa à frente, com mais de 47% dos votos.
Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que agradece aos quase 60 milhões de votos, algo que não tinha feito até então, e repetiu que a eleição ocorrida no domingo "não foi normal", colocando suspeição sem fundamento sobre o processo eleitoral. Ele reclamou da prorrogação feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), medida que sua própria campanha havia pedido à Justiça Eleitoral.
"Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. Não fui eu que perdi, foi sistema que ganhou", declarou o senador.
Com isso, o senador faz uma mudança no discurso. No pronunciamento à imprensa na noite do domingo, após o resultado das urnas, ele havia dito que pediria a "anulação" da eleição, sem reconhecer a derrota. Agora, ele pede a cassação da chapa, sem mencionar a promessa do dia anterior.
Ele acusa Lula de ter feito a "maior compra de votos da história", num "vale-tudo para se manter no poder". Ele argumenta que o governo federal gastou "quase meio trilhão de reais" neste ano, o que teria gerado um "total desequilíbrio da disputa eleitoral".
O Gastômetro, ferramenta inédita no Estadão que monitora em tempo real os desembolsos do governo federal em ano eleitoral, aponta que Lula lançou medidas que custaram R$ 405 bilhões ao fazer campanha pela reeleição.
Em seguida, Flávio afirmou ter sido abordado nesta manhã pela Polícia Federal, após ele fazer uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária num condomínio no Lago Sul de Brasília. Ele cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros crimes pelo STF.
"Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele (Bolsonaro) e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o País. A decisão, do Alexandre de Moraes, se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, 'que eu deveria deixar o País se eu perdesse a eleição'. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?", afirmou.
O senador disse que a decisão de Moraes foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição, e questionou se isso teria acontecido caso ele tivesse sido eleito presidente. Declarou que a "democracia faliu" no Brasil, que vai entregar o passaporte à PF e que "vai se defender dessa aberração".
Apesar de não ter reconhecido expressamente a derrota, Flávio se colocou como um líder da oposição ao próximo mandato de Lula. Disse ser "o último obstáculo para o PT implementar seu projeto de destruição do País" e que vai reunir os deputados federais e senadores do PL para organizar a oposição contra o presidente.
A partir do ano que vem, Flávio, eleito senador em 2018, não terá mais mandato nem foro privilegiado. Seu irmão, Carlos Bolsonaro, e sua madrasta, Michelle Bolsonaro, foram eleitos ao Senado. O pai está inelegível até 2030, e o irmão Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos após ter o mandato cassado na Câmara dos Deputados por falta.
Na decisão de Moraes também consta a proibição de Flávio manter contato com o advogado Willer Tomaz. Na sexta-feira, 23, Moraes determinou o bloqueio de bens móveis e imóveis e o sequestro de R$ 6 bilhões das contas de Tomaz, alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro para Flávio.
O Ministério da Fazenda identificou que o advogado foi a pessoa que mais fez aporte em bets no país em 2025, com depósito de R$ 258 milhões e apostas de R$ 5 bilhões. Além dos bloqueios de bens, Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes do advogado, sob argumento de que ele viajou para o exterior após se tornar alvo de investigações da Polícia Federal.
As medidas foram proferidas no segundo inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal contra Flávio Bolsonaro, revelado pelo Estadão em 18 de outubro, que está sob relatoria de Moraes.
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