A matéria divulgada anteriormente continha uma incorreção no texto. A deputada que ameaçou usar a Lei Maria da Penha contra a parlamentar Erika Hilton é Rosana Valle (PL-SP), e não Socorro Neri (PP-AC), como havia sido informado originalmente no texto. Segue a matéria com a devida correção.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados protagonizou nesta quarta-feira, 8, novas cenas de embates entre deputadas da oposição e a presidente colegiado Erika Hilton (PSOL-SP). Um grupo de parlamentares tentou aprovar uma moção repudiando a eleição da parlamentar do PSOL.
Deputadas oposicionistas se revezaram em discursos criticando postagens em rede social da congressista do PSOL e disseram que as mulheres se sentiram ofendidas. Elas se referiam a textos em que a presidente da Comissão da Mulher se referia às críticas que recebe nas redes sociais como ditas por 'imbeCIS', dizendo que a grafia em letras maiúsculas na postagem de Hilton era uma crítica também às mulheres "cisgênero" (pessoas cuja identidade de gênero corresponde ao sexo biológico atribuído ao nascer).
Em meio a discussões acaloradas, a deputada Rosana Valle (PL-SP) ameaçou usar a Lei Maria da Penha, que pune a violência contra mulheres, contra Erika Hilton.
"A senhora grita e parece que vai partir para uma agressão. Se vier para cima de mim, para me enfrentar, vamos procurar a Lei Maria da Penha porque a senhora tem a força de um homem", declarou Rosana Valle.
Ela acusou Erika Hilton de insuflar militantes de esquerda que acompanhavam a reunião da Comissão. "A sua fala agressiva está incitando a militância contra nós deputadas que não concordamos com seu posicionamento. Enquanto mulher a senhora não me representa", disse a deputada.
Após ouvir uma sequência de críticas, Erika Hilton deixou a cadeira de presidente e se posicionou na bancada de integrantes da comissão para rebater as declarações. Disse que desde que tomou posse participa das reuniões da Comissão. Afirmou ainda que boa parte das deputadas que a criticam agora nunca tinham aparecido para discutir projetos ali e explicou que suas postagens não se referiam às mulheres, muito menos às deputadas.
"(As mensagens são) para essas pessoas que vão para as redes sociais e me ameaçam de morte, que dizem que vão arrancar a minha cabeça, que dizem que eu não mereço estar no Parlamento. Foi para todo esse esgoto, esgoto da sociedade", disse Erika Hilton.
Um tumulto envolvendo deputados e a pessoas que acompanhavam levou à interrupção da sessão. Um visitante proferiu ofensas verbais contra a deputada Clarissa Tércio (PP-PE). O deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA) reagiu ao incidente, aproximou-se do homem, derrubou o celular que ele segurava e exigiu sua retirada do plenário.
A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) argumentou, em um primeiro momento, que não tinha competência para impedir o acesso de um cidadão às dependências da Câmara, mas, diante da escalada da confusão, acionou o Departamento de Polícia Legislativa (Depol) para intervir.
O visitante foi retirado do local pelos agentes. A sessão foi encerrada por iniciativa da deputada Chris Tonietto (PL-RJ) para que os parlamentares presentes pudessem acompanhar Clarissa Tércio no registro do boletim de ocorrência. Outros deputados manifestaram solidariedade à parlamentar pernambucana.



