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Aliado de Flávio Bolsonaro culpa ChatGPT pela alegação, já apagada, de que ele seria o “presidente eleito”

Reuters
Aliado de Flávio Bolsonaro culpa ChatGPT pela alegação, já apagada, de que ele seria o “presidente eleito”
Aliado de Flávio Bolsonaro culpa ChatGPT pela alegação, já apagada, de que ele seria o “presidente eleito”

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO, 29 Out (Reuters) - Um aliado próximo de Flávio Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que o chatbot de IA ChatGPT foi responsável pelo texto de uma carta publicada brevemente nas redes sociais pelo senador, na qual ele se descrevia como o verdadeiro "presidente eleito” do Brasil, ao mesmo tempo em que insistiu que o erro não alterou a opinião do ex-candidato do PL de que a eleição foi ilegítima.

Flávio surpreendeu a classe política brasileira na quarta-feira ao fazer essa afirmação e alegar, sem apresentar provas, que o segundo turno de domingo — no qual perdeu para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por mais de 4 milhões de votos — havia sido marcado por fraudes.

Cerca de uma hora após compartilhar o documento, o senador o excluiu de suas contas e publicou uma versão revisada, substituindo o termo “presidente eleito” por “líder do Brasil”.

Enquanto a mídia brasileira e observadores políticos especulavam sobre a mudança repentina, um dos aliados mais próximos de Flávio sugeriu que a explicação para o erro não era política, mas tecnológica: o uso do ChatGPT, da OpenAI.

O influenciador e apresentador de podcast Paulo Figueiredo, que atua como porta-voz não oficial da família Bolsonaro nos Estados Unidos e foi o primeiro a compartilhar a carta com jornalistas, disse que o documento passou por várias versões preliminares e incorporou contribuições de várias pessoas.

Figueiredo afirmou que o irmão mais novo de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, recorreu à ajuda do ChatGPT para finalizar a carta. Segundo Figueiredo, o chatbot inseriu uma versão desatualizada do brasão do Brasil, com o nome do país grafado com Z e utilizou uma versão preliminar da carta.

“Ao gerar o documento, a IA acabou incluindo uma versão anterior do texto, em que o Flávio se apresentava como o verdadeiro 'presidente eleito'”, escreveu Figueiredo no X, acrescentando que os erros só foram percebidos depois que ele distribuiu a carta à imprensa.

"Nós achamos muito engraçado", disse Figueiredo, referindo-se à troca do brasão. Sobre o texto, Flávio acabou optando pelo termo “líder” por razões jurídicas e morais, acrescentou Figueiredo, dizendo ainda que os envolvidos acharam o ajuste na carta como “nada de mais”.

A OpenAI e a assessoria de imprensa de Flávio não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

“No fim, o essencial está expresso com precisão pelo Flávio: estas eleições foram ilegítimas, ele não reconhece o resultado e continuará lutando para restaurar a democracia no Brasil”, disse Figueiredo.

Flávio Bolsonaro chegou a Miami na quarta-feira após deixar o Brasil, onde se recusou a cumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal para entregar seus passaportes como parte de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro, na qual ele nega qualquer irregularidade.

A decisão de Flávio de se declarar o “líder” legítimo do país não conseguiu angariar apoio de figuras-chave de seu campo político, deixando-o cada vez mais isolado.

A vitória de Lula foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por líderes mundiais, por observadores internacionais e pelo próprio partido de Flávio.

(Reportagem de Fernando Cardoso, com contribuição de Luciana Magalhães; Edição de Aurora Ellis)

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