As reportagens sobre um crime ambiental gravíssimo no município de Presidente Figueiredo e outra mostrando a cidade de Manaus com o ar e a visibilidade comprometidos por um fumaceiro impressionante, marcaram a semana de notícias do Portal do Holanda, indicando a necessidade de acompanhar esses temas para ver os resultados.
A notícia da aplicação de uma multa de mais de R$ 3 milhões a uma empresa que, criminosamente, lançou no Rio Urubu, no município Presidente Figueiredo, na região metropolitana de Manaus, restos de uma obra irregular, ganhou comentários vigorosos de leitores do Portal do Holanda na rede social.
O texto, divulgado na última segunda-feira (15), https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/empresa-e-multada-em-r-3-milhoes-apos-agua-da-cachoeira-natal-ficar-barrenta mostra que o despejo dos sedimentos da obra no Rio Urubu provocou a mudança na cor da água da Cachoeira Natal, no mesmo município.
Vários leitores do Portal do Holanda, além de aplaudirem a aplicação da multa à empresa, cujo nome não foi divulgado, consideraram baixo o valor e alguns até duvidaram do seu pagamento.
Após o embargo do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), ficou comprovado que a obra de aterro e terraplanagem, situada a cerca de oito quilômetros da cachoeira, descumpria o básico da legislação estabelecida para esse tipo de empreendimento.
A empresa terá 20 dias para apresentar sua defesa e pagar o valor, que foi resultado da soma de três infrações: R$ 1,510 milhão pela obra sem licença, R$ 1,5 milhão pelo lançamento dos dejetos em curso d’água e R$ 5 mil por intervenção em Área de Proteção Permanente (APP).
Para aproveitar esses acontecimentos, a reportagem do Portal do Holanda pode, nesse período eleitoral, buscar ouvir os candidatos e a candidata ao governo do Amazonas para saber, de fato, quais propostas concretas têm para essas questões do meio ambiente e a crise climática, que já afeta a vida da maioria dos moradores do Planeta Terra e em especial, afetará duramente os moradores do Amazonas.
A estiagem severa, por exemplo, anunciada como efeito do fenômeno El Niño, deve deixar comunidades isoladas nos próximos meses no Estado. E as temerosas queimadas, comuns nesse período, já estão a todo vapor, pelo que mostra o ar embaçado da capital.
Mas quem acompanha com atenção a campanha eleitoral local e nacional, surpreendeu-se nesta semana com um candidato à presidência e a candidata ao governo do Estado tropeçando nos conceitos e não conseguindo explicar os efeitos das mudanças climáticas.
Um preferiu reduzir os efeitos perversos das alterações na temperatura, no volume de chuvas a problemas de saneamento básico. A outra disse que a crise climática no Amazonas só se tiver furacão, tufão e nevasca. A seca extrema e a elevação da temperatura não estão no horizonte da candidata como problema climático.
Uma simples consulta à Inteligência Artificial ou ao velho Google evitaria esses percalços. A verdade é que não se ouve propostas práticas ou aprofundadas dos candidatos ao Governo do Estado para a questão ambiental e faltam questionamentos a eles sobre o assunto.
Nem mesmo o fato de, na última quinta-feira (17), Manaus ter amanhecido encoberta por fumaça fruto de queimadas, fato registrado pelo Portal do Holanda, levou a algum pronunciamento dos candidatos: https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/manaus-registra-qualidade-do-ar-muito-ruim-devido-a-fumaca-nesta-quinta-feira .
No texto diz que a fumaça veio da Região Metropolitana, especialmente de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru, deixando a qualidade do ar “muito ruim”, situação que permaneceu até o final do dia.
Ao testemunhar os efeitos da poluição na Cachoeira Natal, muitos manauaras e turistas do Brasil e exterior que já se deslocaram a Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros da capital) podem se perguntar qual o futuro para as cerca de 150 cachoeiras existentes ali, além das cavernas e corredeiras?
Isso porque as centenas de igarapés que compõem as quatro bacias hidrográficas em Manaus, Educandos, São Raimundo, Tarumã e Puraquequara e várias microbacias ou sub-bacias, estão severamente poluídas e inadequadas para uso humano.
A equipe de jornalismo do Portal do Holanda deve acompanhar esses processos para responder aos leitores que comentaram no perfil do Portal do Holanda na rede social Instagram, questionando o pagamento da empresa ou indagando se ela aproveitará alguma brecha da lei para evitar ou adiar a tempo infinito, o devido pagamento.
E perguntar aos candidatos tanto ao governo do Estado, como da Assembleia Legislativa, Câmara Federal e Senado, qual papel vão desempenhar nesse processo. Vão continuar a ser testemunhas da destruição ou usarão o poder dado pelo povo, a partir do voto, para fazer cumprir as centenas de leis já sancionadas, para a proteção do meio ambiente.
Sem querer ser alarmista, a reportagem pode alertar ao leitor que ele também é um guardião dessa riqueza e deve denunciar qualquer irregularidade ou crime ambiental e cobrar dos candidatos não só posicionamento, mas compromisso, assinado e protocolado em cartório, para mostrar que poderão ser cobrados caso esqueçam as promessas.
Ombudsman
Ana Celia Ossame é amazonense de Manaus, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) (2015) e graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Ufam (1985). Tem Especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997 e experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração e Assessoria de Imprensa. Trabalhou nos jornais amazonenses A Notícia, Jornal do Comércio e A Crítica, onde elaborou matérias sobre Educação, Saúde, Meio Ambiente e do Cotidiano. Durante mais de uma década, foi responsável pela edição e produção de uma página dedicada à Educação no Jornal A Crítica. Foi Assessora de Imprensa do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Câmara Municipal de Manaus, Agência de Comunicação do Governo do Estado, Secretaria Estadual de Assistência Social (SEAS), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SEMASDH), Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). É detentora de prêmios jornalísticos como 6º. Prêmio Embratel de Jornalismo (2004), Grande Prêmio Ayrton Senna (2000), Governo do Estado do Amazonas (1997) e Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em 1997, foi premiada como Jornalista Amiga da Criança (JAC) pela Agência de Notícias pelos Direitos da Infância (ANDI), vinculada à Unesco. É autora do Livro de Poesia “Imaginei Assim”, publicado em 1986, dos livros Infantis “O Planeta Azul” (2014) e Os Sapatos da Formiga (2024), publicados pela Editora Valer, este último contemplado pelo Prêmio Frauta de Barro. E-mail: [email protected].
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