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Taxas longas caem após novas pesquisas eleitorais ofuscarem IPCA

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 9 Out (Reuters) - As taxas dos DIs de longo prazo operavam em baixa nesta manhã de sexta-feira, com investidores reagindo a duas novas pesquisas eleitorais que colocam o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da disputa pelo Planalto.

O efeito das pesquisas na curva ofusca o impacto dos dados de inflação divulgados mais cedo, mostrando o IPCA acima das projeções em setembro.

Às 10h04, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,56%, em alta de 1 ponto-base ante o ajuste de 12,548% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,52%, com baixa de 8 pontos-base ante 12,604%.

A pesquisa do Datafolha divulgada na noite de quinta-feira mostrou Flávio com 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, os dois candidatos estão no limite do empate técnico.

Os indecisos somam apenas 1%, enquanto aqueles que dizem que votarão em branco, anularão o voto ou não votarão em nenhum candidato chegam a 5%.

Já a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou nesta manhã de sexta-feira que Flávio tem 51,1%, contra 45,7% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, a liderança do senador está além da área de empate técnico.

O percentual de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou anular o voto caiu de 5,0% para 3,2%.

A confirmação de que Flávio lidera a disputa no segundo turno voltou a pesar sobre o dólar e sobre a curva de juros nesta sexta-feira.

No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste.

No limite, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu nos últimos dias na redução de prêmios na curva de DIs, principalmente entre os vencimentos de longo prazo, mais sensíveis à política fiscal.

Nesta manhã, o efeito das pesquisas acabou deixando em segundo plano o resultado do IPCA, o índice oficial de inflação, que subiu 0,82% em setembro, mais que a taxa de 0,73% projetada pelos economistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, houve alta de 4,58%, ante projeção de 4,50%.

A abertura do indicador revelou um cenário ainda de pressão nos preços. A alta dos serviços passou de 0,03% em agosto para 0,61% em setembro, enquanto a taxa de serviços subjacentes, que excluem alguns itens mais voláteis, passou de 0,40% para 0,36%, conforme cálculos do banco Bmg. A inflação de serviços intensivos em mão de obra variou de 0,55% para 0,57%.

Ainda de acordo com o Bmg, a taxa média dos núcleos de inflação calculados pelo Banco Central foi de 0,22% para 0,36%.

De acordo com o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, os números apresentaram surpresas apenas localizadas e não mudam o cenário atual para a inflação.

"Portanto, as pesquisas acabam ajudando no processo de queda dos juros", afirmou, ao justificar o viés negativo para a curva nesta manhã.

Serrano trabalha atualmente com novo corte de 25 pontos-base da Selic em novembro, na primeira reunião de política monetária do Banco Central após a eleição, e espera por nova redução de 25 pontos-base em dezembro. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano.

O viés de baixa da curva brasileira nesta sexta-feira está na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir. Às 10h07, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- tinha alta de 2 pontos-base, a 5,251%.

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