14 Jul (Reuters) - A Rússia acusou a Ucrânia de terrorismo na terça-feira devido à escalada dos ataques à navegação no Mar de Azov, rota pela qual passa cerca de um quarto de suas exportações de grãos.
Drones ucranianos atingiram 11 embarcações russas no Mar de Azov durante a madrugada, informou o comandante das forças de drones de Kiev.
Em comunicado no Telegram, Robert Brovdi disse que os alvos incluíram cinco petroleiros, cinco navios de carga seca e um rebocador, elevando para 116 o número total de embarcações atingidas nos últimos nove dias.
O relato não especificou nenhum ataque a navios de grãos. Fontes do setor, que falaram sob condição de anonimato devido à delicadeza do assunto, disseram à Reuters que vários navios de grãos foram atingidos nos dias 13 e 14 de julho e pegaram fogo.
“Eles estão ali parados como alvos diante de um pelotão de fuzilamento. Em alguns dias, não restará um único navio intacto no Mar de Azov, apenas navios danificados”, disse uma das fontes à Reuters.
“O que o regime ucraniano está fazendo vai além até mesmo da pirataria. Os piratas, pelo menos, saqueiam e ficam com os espólios para si”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.
“Mas, neste caso, isso não beneficia nem a eles nem a ninguém — o objetivo é simplesmente causar danos e intimidar. É terrorismo, puro e simples”, acrescentou Lavrov.
Uma fonte militar ucraniana disse à Reuters: “As Forças Armadas da Ucrânia atacam apenas alvos militares ou alvos que contribuem para fortalecer a capacidade de combate da Rússia."
“Cargas civis não estão entre eles. Ao falar sobre ataques a embarcações civis, a Rússia está buscando um pretexto para justificar seus ataques cínicos à infraestrutura civil ucraniana.”
A Rússia intensificou seus ataques aos portos ucranianos do Mar Negro desde o final do ano passado, e autoridades ucranianas afirmam que os portos da região de Odessa podem ter sua capacidade mensal de exportação de grãos reduzida em até um terço.
TRÁFEGO NO MAR DE AZOV RESTRITO
A navegação no Mar de Azov permaneceu restrita na terça-feira, segundo fontes da Reuters. O mar fica na foz do rio Don, que atravessa a principal região produtora de grãos do sul da Rússia, e recebe principalmente embarcações costeiras de menor porte.
Uma fonte informou à Reuters na segunda-feira que embarcações comerciais não conseguiam entrar ou sair do Mar de Azov pelo Estreito de Kerch ou pelo canal Azov-Don, que liga o mar ao rio Don.
Nos últimos meses, a Ucrânia realizou uma série de ataques a refinarias de petróleo, depósitos de combustível, portos e outras infraestruturas energéticas russas, o que causou escassez de combustível em toda a Rússia e interrompeu as exportações.
O Ministério da Agricultura e o Ministério dos Transportes não confirmaram que o tráfego no Mar de Azov estava restrito.
No entanto, o Ministério da Agricultura reconheceu na terça-feira que as exportações podem ser redirecionadas para outras rotas.
(Reportagem da Reuters)



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