RIO DE JANEIRO, 17 Ago (Reuters) - A Petrobras vê boas indicações para a qualidade do óleo encontrado na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá, mas precisará fazer análises no centro de pesquisas para confirmações, afirmou a diretora de Exploração e Produção da petroleira, Sylvia Anjos, nesta segunda-feira.
Ela explicou que o óleo não pode viajar de avião, portanto demandará cerca de quatro dias para chegar ao centro de pesquisas.
"Parece muito bom, mas a análise vai ser feita no nosso centro de pesquisa", disse Anjos, ao acompanhar a presidente da petroleira, Magda Chambriard, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma visita ao Oiapoque.
Para ressaltar a importância da descoberta de hidrocarbonetos, anunciada na sexta-feira, Anjos afirmou que o poço permitiu que já haja condições para definir quais serão as posições dos próximos três poços planejados para o mesmo bloco onde a perfuração ocorre. A companhia aguarda licença ambiental para esses próximos poços.
"Esse poço está dando um direcionador para os próximos três poços, para assim que a gente puder perfurá-los", afirmou.
Anjos participou de coletiva de imprensa transmitida online a partir do aeroporto de Oiapoque, ao lado de Chambriard.
Chambriard disse que o poço, iniciado em outubro, ainda deve levar cerca de 15 a 20 dias para ser concluído, mas que a previsão dependerá dos trabalhos em execução. Segundo ela, ainda faltam cerca de mil metros para chegar ao fim.
Questionada se poderia haver novas descobertas ainda neste mesmo poço, a presidente disse esperar "muitos reservatórios pela frente ao longo dessa jornada".
"Quanto mais, melhor."
Também presente na coletiva, a diretora executiva de Assuntos Corporativos, Clarice Coppetti, disse que a Petrobras sabe que vai ficar "muitas décadas" no Amapá, ao comentar sobre toda a estrutura montada para iniciar a exploração.
Mais cedo, ao discursar para uma audiência no aeroporto, em vídeo transmitido ao vivo pela Petrobras, Lula comparou a constatação de hidrocarbonetos na Bacia da Foz do Amazonas à descoberta do pré-sal, cerca de 20 anos atrás, e disse que a descoberta em águas ultraprofundas do Amapá pode ser o passaporte para o futuro do país.
(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)



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