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Pela primeira vez, astrônomos captam ondas de rádio de um planeta fora do Sistema Solar

Pela primeira vez, astrônomos captam ondas de rádio de um planeta fora do Sistema Solar

Pela primeira vez na história da astronomia, cientistas conseguiram distinguir a "voz" de um planeta fora do Sistema Solar da de sua estrela hospedeira. Uma equipe internacional de pesquisadores, liderada por Kevin Ortiz Ceballos (Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian), registrou emissões de rádio atribuídas diretamente ao Beta Pictoris b (β Pictoris b), um gigante gasoso localizado a pouco mais de 63 anos-luz da Terra.

O feito quebra um jejum tecnológico que durava desde o início dos anos 1990, quando os primeiros exoplanetas começaram a ser descobertos.

Nada de ETs: O segredo são as auroras

Antes que surjam teorias sobre mensagens extraterrestres, os astrônomos esclarecem: o sinal não tem qualquer relação com uma civilização inteligente. Trata-se de radioauroras, o mesmo fenômeno físico que ilumina os céus polares da Terra e que gera rajadas de rádio em Júpiter — embora potencializado por condições extremas.

O planeta em questão orbita sob a influência de um campo magnético extraordinariamente intenso, que canaliza partículas energéticas para a sua atmosfera superior. O resultado são emissões geradas por um mecanismo conhecido como instabilidade máser de ciclotron de elétrons (ECMI).

A tecnologia por trás da conquista

A detecção foi possível graças ao conjunto de radiotelescópios MeerKAT, na África do Sul, que monitorou o sistema entre 2025 e 2026. Para resolver o desafio histórico de separar o sinal do planeta e o de sua estrela, os cientistas usaram quasares distantes como pontos de referência espacial, permitindo isolar a procedência exata das ondas de rádio e descartar tanto a estrela central quanto o planeta vizinho β Pictoris c.

Além de cravar a origem do sinal, a descoberta funcionou como um "magnetômetro à distância":

  • Campo magnético colossal: Com base nas frequências registradas (de até 3,5 gigahertz), os pesquisadores calcularam que o campo magnético do exoplaneta é 2,5 mil vezes mais forte que o da Terra e muito superior ao de Júpiter.

  • Medição inédita: É a primeira vez na história que a intensidade do campo magnético de um mundo extrassolar é medida de forma direta.

Por que agora?

Tentativas anteriores feitas em 2022 e 2024 haviam falhado porque operavam em frequências mais baixas. O sucesso do MeerKAT veio ao vasculhar uma faixa mais elevada (0,85 a 3,5 GHz). Além disso, β Pictoris b reúne características perfeitas para o estudo: tem massa de 10 a 12 vezes a de Júpiter e completa uma rotação em torno de si mesmo em apenas oito ou nove horas, o que ajuda a alimentar suas auroras gigantescas.

A descoberta, descrita em estudo submetido na plataforma arXiv, abre uma nova era para a astrofísica. Entender o campo magnético dos exoplanetas é crucial para avaliar sua habitabilidade, já que é ele que protege a atmosfera contra os ventos estelares agressivos. A equipe já planeja mirar em outros sete gigantes gasosos próximos em busca de novos sinais.

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