LOS ANGELES, 15 Jun (Reuters) - A seleção iraniana de futebol se preparava para disputar sua primeira partida na Copa do Mundo deste ano, em Los Angeles, na segunda-feira, com protestos previstos pela numerosa diáspora iraniana da cidade contra tanto o governo de Teerã quanto a guerra dos Estados Unidos contra a República Islâmica.
A seleção chegou aos EUA pela primeira vez nesta Copa do Mundo no domingo, voando de sua base de treinamento em Tijuana, no México, e aterrissando em Los Angeles no momento em que foi anunciado um acordo para encerrar a guerra entre os EUA e o Irã.
A equipe está escalada para enfrentar a Nova Zelândia no Grupo G às 22h, horário de Brasília.
A participação do Irã no torneio tem sido marcada por controvérsias tendo como pano de fundo a guerra, que começou em fevereiro quando os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã.
Isso ocorreu após protestos em todo o país em janeiro no Irã, nos quais milhares de pessoas foram mortas em uma repressão sangrenta do governo.
Nas últimas semanas, a seleção mudou sua base do Arizona para o México, enquanto a federação reclamou que nem toda a comissão técnica recebeu vistos dos EUA e que os ingressos destinados aos torcedores haviam sido retirados.
Em Los Angeles — lar da maior comunidade iraniana fora do Irã, muitos dos quais fugiram do país após a Revolução Islâmica — torcedores iraniano-americanos dizem estar divididos entre a emoção de ver a seleção no maior palco do mundo, a raiva pela repressão de Teerã aos manifestantes e a preocupação com a campanha de bombardeios de Washington.
Alguns planejam protestar do lado de fora do estádio, enquanto outros afirmaram que assistirão à partida pela TV, preocupados com possíveis distúrbios no estádio ou com o fato de que sua presença poderia ser interpretada como apoio ao governo do Irã.
“Como podem ir torcer por uma seleção que chega com a bandeira da República Islâmica e o hino nacional?”, disse Koroush Krumarsi em um pequeno protesto realizado em frente ao hotel da seleção no domingo.
Outros indicaram que irão ao jogo e tentarão contrabandear símbolos de protesto, incluindo a bandeira pré-revolucionária do Irã, que tem as mesmas cores da bandeira oficial atual, mas apresenta um motivo diferente com o leão e o Sol.
Isso cria um potencial conflito com a segurança e os direitos norte-americanos à liberdade de expressão.
O Irã ameaçou suspender as partidas se bandeiras não oficiais forem levadas ou slogans entoados, enquanto uma organização sem fins lucrativos da Califórnia entrou com uma ação judicial buscando impedir quaisquer restrições.
A Fifa, entidade que rege o futebol mundial, afirma, quando questionada sobre o assunto, que proíbe bandeiras ou vestuário de natureza política. Mas não se pronunciou especificamente sobre qual será sua abordagem em relação à bandeira pré-revolucionária iraniana.
(Reportagem de Sandra Stojanovic e Jane Ross)



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