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Vale prevê R$13 bi em descarbonização e alerta para custos de carbono a partir de 2030

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Vale prevê R$13 bi em descarbonização e alerta para custos de carbono a partir de 2030
Vale prevê R$13 bi em descarbonização e alerta para custos de carbono a partir de 2030

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 15 Jun (Reuters) - A Vale planeja investir até R$13 bilhões em iniciativas de descarbonização para mitigar riscos relacionados e para cumprir metas voluntárias de redução de emissões, mostrou um relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade de 2025 da mineradora, nesta segunda-feira.

A companhia não detalhou o período do investimento, mas o montante inclui até R$4 bilhões em projetos voltados à descarbonização das operações, até R$8 bilhões em tecnologias próprias e parcerias ligadas à transição da siderurgia e ao desenvolvimento de briquetes de minério de ferro, além de até R$1 bilhão em despesas de pesquisa e desenvolvimento.

Dos projetos voltados à descarbonização (até R$4 bilhões), 24% deve ser investido no médio prazo e 76% no longo prazo. Já o montante de até R$8 bilhões é vinculado "substancialmente" à construção dos "Mega Hubs", complexos industriais com foco em baixo carbono.

Desde 2020 até o fim de 2025, a Vale investiu R$9 bilhões em iniciativas de descarbonização, segundo dados da companhia.

Com essas iniciativas, a empresa enxerga potencial de retornos financeiros e ambientais para seus negócios, mas também caminhos para mitigar riscos, disse a vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale, Grazielle Parenti.

"Dentro da gestão de governança da Vale, todos os projetos e decisões desse calibre, eles são avaliados numa matriz ambiental, social e de governança que captura possíveis riscos e oportunidades para cada um deles", afirmou, em entrevista à Reuters antes da publicação do relatório.

No documento, a Vale também apontou que pode incorrer em custos de até R$22 bilhões, a valor presente, decorrentes de mecanismos de precificação de carbono, com impactos esperados substancialmente a partir de 2030. O montante e o momento de tais desembolsos dependerão do cumprimento de metas de emissões da companhia.

A exposição aos custos, segundo a Vale, está ligada à evolução de regulações climáticas em mercados onde opera e vende produtos, incluindo iniciativas como o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono da União Europeia (CBAM), o sistema brasileiro de comércio de emissões, o mercado chinês de carbono e outros regimes de precificação.

Em 2025, a empresa registrou redução de 25,3% nas emissões de Escopos 1 e 2 em relação ao ano-base de 2017, abaixo da redução de 26,6% reportada em 2024. No Escopo 3, a redução foi de 8,2% ante o ano-base de 2018, também abaixo dos 11,2% do ano anterior, refletindo, entre outros fatores, o aumento da produção e das vendas.

RELATÓRIO COM PADRÃO ISSB

A vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale afirmou que a empresa foi a primeira mineradora do mundo e a primeira empresa brasileira a publicar esse relatório, no ano passado, seguindo o novo padrão estabelecido pelo International Sustainability Standards Board (ISSB).

Nessa segunda edição, a empresa ampliou a análise de riscos e oportunidades e reforçou a sustentabilidade como vetor de resultados financeiros, segundo Parenti. A executiva ressaltou que a sustentabilidade deixou de ser um tema predominantemente reputacional para se tornar um tema de negócio.

"É um tema que conversa com o pragmatismo de uma empresa global, com clientes no mundo inteiro... investidores globais, com clientes globais e de falar de como essa agenda da sustentabilidade, como ela se traduz dentro do nosso negócio, qual é o impacto que isso tem", afirmou. 

O relatório de 2025 ampliou a análise de riscos para mais quatro temas: barragens, licenciamento ambiental, relacionamento com comunidades e direitos humanos, e saúde e segurança; além de incluir a mineração circular.

A Vale produziu 26 milhões de toneladas de minério de ferro com a mineração de resíduos, um aumento de 107% em relação ao ano anterior. Atualmente, a mineração circular responde por 8% do total produzido pela empresa e a meta é chegar a 10% da produção total em 2030.

"Essa agenda de circularidade tem ganhado uma relevância muito grande... Economicamente é muito interessante para a Vale, ambientalmente, é muito interessante para a Vale, é uma oportunidade de negócio", disse Parenti.

(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

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