Por Fernando Kallas
NOVA YORK, 14 Jun (Reuters) - A campanha do Brasil na Copa do Mundo mal havia completado 90 minutos quando o sinal de alerta começou a soar: o empate sem graça por 1 a 1 com Marrocos, em Nova Jersey, deixou os torcedores inquietos, os comentaristas furiosos e o técnico Carlo Ancelotti sob pressão para encontrar uma solução.
Um lampejo de brilhantismo individual de Vinícius Jr. salvou um ponto para os pentacampeões mundiais, mas não disfarçou uma atuação que o exigente público brasileiro recebeu com preocupação, especialmente após um primeiro tempo considerado por muitos como péssimo.
As críticas mais duras foram dirigidas ao lateral-direito Roger Ibañez, ao meia Lucas Paquetá, ao atacante Igor Thiago e ao volante Casemiro, embora o italiano Ancelotti também não tenha sido poupado. Sua escalação e seu plano tático foram alvos de um feroz escrutínio.
Paulo Vinicius Coelho, colunista do site UOL, foi especialmente contundente com Casemiro, escrevendo que ele "parecia ter o peso de um caminhão fazendo curvas na serra das Araras".
Ele também criticou Ancelotti por escalar o atacante Igor Thiago no lugar de Matheus Cunha, que entrou no segundo tempo e ajudou a injetar um pouco da vitalidade que o Brasil tanto precisava.
Mauro Beting, escrevendo no jornal O Estado de São Paulo, fez um comentário semelhante. “Tivemos mais sorte do que juízo. Também pela escolha infeliz de Ancelotti", escreveu.
Fábio França, apresentador da rádio BandNews, foi além, chamando a atuação no primeiro tempo de “os piores 45 minutos do Brasil em uma Copa do Mundo desde a goleada de 7 a 1 sofrida contra a Alemanha na semifinal de 2014”.
O colunista do jornal O Globo Carlos Eduardo Mansur disse que o Brasil parecia desorganizado e despreparado.
“O Brasil foi a cara do pouco tempo de trabalho, com um ciclo bagunçado. A defesa foi fraca e eles foram dominados”, escreveu Mansur, argumentando também que Thiago “contribui pouco com bola no chão” e questionando a falta de incisão de Raphinha.
O ex-volante da seleção brasileira Felipe Melo, agora comentarista do programa noturno "Seleção Copa" do SporTV, foi direto ao falar sobre a escalação inicial de Ancelotti.
“Ancelotti é um dos maiores treinadores da história, mas não pode se dar ao luxo de deixar erros passarem despercebidos. Ele escalou o time titular errado. Ibañez não deveria ter sido titular”, disse Melo.
Ele acrescentou que Fabinho, que entrou no intervalo no lugar de Casemiro, com dificuldades no primeiro tempo, “simplesmente dominou o meio-campo”.
O comentarista da ESPN Ubiratan Leal comparou o início vacilante do Brasil à derrota da Argentina para a Arábia Saudita na Copa do Mundo de 2022, após a qual o técnico Lionel Scaloni fez mudanças rápidas e acabou vencendo o torneio.
“Ancelotti precisará seguir o exemplo de Scaloni”, disse Leal. “Em uma Copa do Mundo, é preciso agir rapidamente.”
Para o Brasil, em busca do sexto título após 24 anos de frustrações, a mensagem que vem de casa é inequívoca: a hesitação da estreia pode ser superada, mas somente se Ancelotti agir rapidamente.
A próxima partida será na sexta-feira contra o Haiti, que perdeu por 1 a 0 para a Escócia na primeira rodada do Grupo C, seguida pelo confronto com os escoceses em 24 de junho.
(Reportagem de Fernando Kallas)




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