ARLINGTON, Texas, 30 de junho (Reuters) - Com a Noruega contra as cordas e caminhando para a prorrogação, Erling Haaland apareceu para levar sua seleção às oitavas de final da Copa do Mundo, em uma atuação que, embora longe de ser a melhor, ainda assim entrará para a história.
Ao apito final da vitória por 2 x 1 sobre a Costa do Marfim — a primeira da Noruega em uma fase eliminatória da Copa do Mundo —, o gigantesco atacante procurou o meia Patrick Berg para lhe dar um beijo na testa em agradecimento pela assistência que lhe permitiu empurrar a bola para dentro do gol a quatro minutos do fim.
Ele sorria de orelha a orelha. A aventura da Noruega na Copa do Mundo se estendeu pelo menos até o confronto com o Brasil no próximo domingo.
“Eu estava exausto, então pensei: ‘Não vou aguentar a prorrogação, por isso temos que marcar’”, disse Haaland, sorrindo, à emissora norueguesa TV2.
Com quatro gols nos dois primeiros jogos da fase de grupos antes de ser poupado no terceiro, Haaland estava arrebentando no torneio, mas, durante grande parte dos 90 minutos contra a Costa do Marfim, esteve completamente apagado.
Movendo-se entre os dois zagueiros, Haaland havia conseguido dar uma cabeçada, mas sem muita força, e à medida que o jogo avançou, mais discreto ele ficou.
Antonio Nusa marcou para dar aos noruegueses a vantagem no primeiro tempo, mas ele e Alexander Sorloth, na outra ponta, muitas vezes demoravam demais com a bola, em vez de passá-la rapidamente para Haaland, tornando as investidas do atacante desnecessárias e, por fim, deixando-o parado no centro do ataque.
Frustrado com a falta de auxílio, Haaland começou a se afastar mais do gol, mas, embora possua imensa força e um excelente domínio, é muito mais eficaz de frente para as traves do que de costas para elas.
Nas poucas ocasiões em que a Noruega avançou, o capitão Martin Odegaard tentou lançar a bola por trás da defesa da Costa do Marfim para os laterais e pontas, mas os ataques fracassaram várias vezes, e quando Amad Diallo marcou para a Costa do Marfim aos 29 minutos do segundo tempo, o período mais importante da carreira internacional de Haaland começou.
Pouco antes desse gol, o técnico da Noruega, Stale Solbakken, substituiu Nusa e Sorloth por Andreas Schjelderup e Oscar Bobb, mas o problema de abastecer Haaland continuava.
Isso até que Berg, o craque do Bodo/Glimt, tomou as rédeas da situação, optando pela jogada mais simples após um passe magnífico de Bobb para deslizar a bola na frente do gol.
Haaland ficou tão surpreso ao receber um passe perfeito que quase perdeu a chance com o gol à sua mercê, mas conseguiu colocar força suficiente para empurrar a bola para dentro e garantir a classificação da sua equipe.
Ao se posicionar tão recuada, a Noruega brincou com fogo por longos períodos, mas Haaland veio ao resgate, como tantas vezes antes, e após a partida, comemorou com os torcedores, sozinho em campo usando um elmo viking com chifres que parecia bem realista.
Solbakken deu um suspiro de alívio depois que seu atacante o salvou mais uma vez.
“Se eu consigo sobreviver a isso, consigo sobreviver a qualquer coisa”, disse.
(Reportagem de Philip O'Connor)



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