SEATTLE, 10 Set (Reuters) - As fusões e aquisições estão se acelerando na cadeia de suprimentos aeroespacial, à medida que cronogramas de produção mais claros da Boeing e da Airbus conferem aos compradores maior confiança na demanda de longo prazo, de acordo com dados do setor e entrevistas com negociadores e fornecedores.
Até agosto, o banco de investimentos Janes Capital Partners, especializado em aeroespacial e defesa, registrou 154 acordos no setor aeroespacial divulgados publicamente neste ano, um número pouco abaixo do recorde anual de 159 estabelecido em 2019.
Os compradores estão buscando fornecedores com mão de obra escassa, capacidades de fabricação especializadas e capacidade que possa ajudar a atender à crescente produção de aeronaves. Os principais fabricantes também buscam garantir o fornecimento de componentes essenciais.
A GE Aerospace anunciou nesta semana a aquisição, no valor de US$12 bilhões, da Consolidated Precision Products, fornecedora de peças fundidas, em meio à corrida para expandir a produção de motores. Em outro grande negócio, a Parker Hannifin concordou, em maio, em comprar a divisão aeroespacial da Circor — que fabrica sistemas de atuação e trens de pouso — da empresa de private equity KKR por US$2,6 bilhões.
A maioria das transações, no entanto, envolveu compradores estratégicos e empresas de private equity adquirindo fornecedores de médio ou pequeno porte.
Os 154 acordos anunciados até agosto, que não incluem o negócio da GE em setembro, tiveram um valor combinado de US$14 bilhões, em comparação com 157 negócios no valor de US$37,5 bilhões em todo o ano passado, segundo dados da Janes Capital.
O número de transações atingiu seu último pico em 2019, com 159 transações e um valor combinado de US$21,3 bilhões, antes de cair para 82, no valor de US$3,3 bilhões, em 2020, com o início da pandemia. O maior valor anual foi registrado em 2015, quando 106 transações totalizaram US$59,4 bilhões.
PRODUÇÃO DA BOEING SE ESTABILIZA
As entregas de aviões de passageiros da Boeing oscilaram drasticamente ao longo de vários anos, à medida que a empresa enfrentava uma série de crises, caindo de 806 em 2018 para 157 em 2020. Elas se recuperaram para 528 em 2023, antes que problemas de qualidade na produção as fizessem cair novamente para 348 no ano seguinte.
Sob a liderança de um novo presidente-executivo, a Boeing estabilizou a produção de seu modelo mais vendido, o 737 MAX, e começou a aumentar a produção, dando aos fornecedores uma visão mais clara da demanda futura. A empresa entregou 600 aviões no ano passado, o maior número desde 2018, e está a caminho de superar esse número este ano.
A produção da Airbus também caiu durante a pandemia, mas vem subindo de forma constante desde então. A empresa tem como meta entregar 870 aeronaves este ano, superando seu recorde pré-pandêmico de 863 em 2019.
“É possível comparar a taxa de aumento na produção com a taxa de aumento nos negócios, e elas seguirão um padrão bastante semelhante”, disse Anita Antenucci, fundadora do banco de investimentos 3Wire Partners.
Uma fila de potenciais vendedores também está chegando ao mercado, segundo banqueiros. Muitas empresas de private equity mantiveram as empresas de seu portfólio por muito mais tempo do que o habitual, já que as oscilações na produção durante a pandemia e os estoques inflacionados dificultaram a avaliação das empresas com confiança.
“Não havia como um comprador — ou você — ter a menor ideia de quais seriam suas receitas”, disse Stephen Perry, diretor-gerente da Janes Capital.
À medida que as taxas de produção se estabilizam e suas trajetórias se tornam mais previsíveis, os compradores estão se sentindo mais à vontade para precificar o desempenho futuro de uma empresa-alvo — mesmo tendo como pano de fundo as dificuldades bem documentadas da Boeing.
No entanto, a concorrência até mesmo por pequenos fornecedores está aumentando, principalmente devido ao crescente interesse de empresas de private equity, segundo afirmaram especialistas em fusões e aquisições.
Susan Kasa está no centro dessa corrida. A proprietária da Boulevard Machine, uma pequena oficina mecânica com algumas dezenas de funcionários nos arredores de Springfield, em Massachusetts, disse que agora recebe “duas a três ligações por dia” de possíveis compradores.
Kasa disse que sua força de trabalho qualificada — um bem escasso em um setor que enfrenta escassez de mão de obra — é parte do que torna sua empresa um alvo tão atraente.
(Reportagem de Dan Catchpole, em Seattle, e Sabrina Valle, em Nova York)



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