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Exportação de café do Brasil cresce menos que o esperado em julho, diz Cecafé

Reuters
Exportação de café do Brasil cresce menos que o esperado em julho, diz Cecafé
Exportação de café do Brasil cresce menos que o esperado em julho, diz Cecafé

SÃO PAULO, 11 Ago (Reuters) - A exportação de café verde do Brasil aumentou 8,7% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado, para 2,67 milhões de sacas de 60 kg, mas ficou abaixo das expectativas diante de atrasos na colheita brasileira de grãos arábica por conta das chuvas e gargalos logísticos, afirmou nesta terça-feira o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé).

Os embarques de café arábica recuaram 8,9% na mesma comparação, para 1,82 milhão de sacas, o menor volume para o mês desde pelo menos 2022, segundo o Cecafé. O crescimento dos volumes totais, contudo, foi sustentado pelos grãos canéforas (conilon e robusta), cujas exportações saltaram 84,4%, para 851,2 mil sacas.

"Aguardávamos uma evolução expressiva nos embarques no mês passado, principalmente com a chegada do café arábica, mas a ocorrência de chuvas em importantes regiões produtoras dessa variedade retardou os trabalhos de colheita, impactando as exportações", afirmou o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, em nota.

Julho é o primeiro mês do ano-safra 2026/27. A colheita de café nas principais regiões produtoras de arábica havia alcançado cerca de 70% das áreas, ao final de julho.

"Além disso, a infraestrutura defasada nos principais portos de exportação do país seguem gerando dificuldade para as cargas conseguirem embarque, gerando milhões de reais em prejuízos aos exportadores com custos extras por causa de armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions", explicou.

Considerando o café industrializado, o país embarcou 3,03 milhões de sacas em julho, alta de 9,9% em relação ao mesmo mês do ciclo anterior. A receita caiu 13,2% no mesmo intervalo comparativo, para US$903,9 milhões, devido a um recuo de mais de 20% no preço médio. 

Ferreira acredita que os embarques devem ganhar maior ritmo a partir da segunda quinzena de agosto, com o avanço da colheita de arábica no Brasil, que deve ser uma das maiores da história.

Ele citou, por outro lado, que a queda dos no preços limita as vendas de produtores e pode impactar as exportações.

Segundo Ferreira, os produtores estão capitalizados devido aos bons preços nas safras recentes, e o fluxo de café deve se manter cadenciado, "com os cafeicultores aproveitando os momentos de alta para vender e, eventualmente, saindo do mercado nas baixas".

Outro ponto que deve favorecer o crescimento das exportações é a possível retomada de importações dos Estados Unidos, após o fim do tarifaço que atingiu o setor.  

(Por Roberto Samora e André Romani; edição de Marta Nogueira)

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