Por Nandita Bose
WASHINGTON, 8 Jul (Reuters) - O presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou drasticamente suas advertências sobre uma tomada de poder comunista no Partido Democrata às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro, enquanto sua equipe política avalia se a mensagem pode ter repercussão além de seus eleitores mais fiéis.
Conclusões preliminares dos grupos focais de sua equipe sugerem que a mensagem mobiliza fortemente a base de Trump e poderia aumentar a participação eleitoral entre eleitores republicanos que votam esporadicamente, segundo duas pessoas a par do assunto. Mas ela parece menos eficaz entre os independentes — muitas vezes decisivos em disputas acirradas — e entre eleitores mais jovens que não viveram a Guerra Fria.
O sucesso de socialistas democráticos e outros candidatos progressistas nas primárias democratas no Colorado, Kentucky, Nova York, Ohio, Texas e em outros lugares deu a Trump e seus pares republicanos uma nova linha de ataque: retratar os democratas como extremistas, em vez de defender o histórico de Trump no combate ao alto custo de vida.
Uma análise da Reuters dos comentários públicos de Trump entre 23 de junho e 6 de julho — quando uma série de candidatos democratas de esquerda venceu as primárias de seu partido em Nova York — revelou que ele invocou o comunismo 81 vezes, inclusive chamando alguns dos candidatos vitoriosos de “comunistas radicais e sem Deus”.
Muitos dos candidatos progressistas argumentam que combater a falta de acessibilidade significa tributar os ricos, cortar gastos militares, opor-se ao financiamento dos EUA a Israel, ampliar programas financiados pelo governo e abolir a Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE).
Trump — conhecido por seu estilo político direto — não hesitou em rotular os defensores dessas propostas como comunistas. Muitos dos candidatos, no entanto, se identificam como socialistas democráticos que defendem a adoção de políticas progressistas por meio de eleições, enquanto o comunismo busca abolir a propriedade privada e criar uma sociedade sem classes.
Olivia Wales, porta-voz da Casa Branca, afirmou que “a adesão dos democratas ao socialismo e ao comunismo” é uma “ameaça existencial ao nosso país” e que Trump “continuará denunciando o radicalismo deles e traçando um contraste nítido com sua agenda baseada no bom senso e no ‘America First’”."
COMUNISMO X SOCIALISMO
Em seu discurso de 4 de julho aos norte-americanos, marcando o 250º aniversário da Declaração de Independência do país da Reino Unido, Trump alertou contra a ascensão do comunismo, comparando-o a um câncer que precisa ser removido.
“É preciso extirpá-lo, e é preciso fazê-lo rapidamente”, disse ele em um comício no National Mall, em Washington.
Ao retratar os democratas como socialistas e comunistas, Trump ressuscitou uma das armas mais antigas da política norte-americana. Os republicanos Richard Nixon e Ronald Reagan utilizaram essa linha de ataque durante a Guerra Fria. Mas a decisão de Trump de usar uma celebração do Dia da Independência, tradicionalmente apartidária, para atacar adversários políticos marcou um cenário incomum para a mensagem.
Nos bastidores, assessores de Trump estão testando a nova mensagem com grupos focais, enquanto os republicanos se preparam para a reta final mais acirrada rumo às eleições de novembro, que decidirão o controle do Congresso dos EUA.
As conclusões preliminares indicam que o termo “comunismo” pode ser mais eficaz do que “socialismo” em algumas disputas eleitorais, enquanto o “socialismo” pode ter um apelo mais amplo em anúncios pagos e mensagens direcionadas a distritos eleitorais, disse uma das duas pessoas familiarizadas com os grupos focais.
Os republicanos veem a mensagem repercutindo especialmente entre os eleitores hispânicos na Flórida — onde apelos antissocialistas há muito tempo encontram aceitação entre eleitores cujas famílias fugiram de governos de esquerda na América Latina — e no Texas.
Uma pesquisa de opinião de 2025 realizada pela Gallup revelou que os norte-americanos ainda viam o socialismo de forma mais negativa do que positiva, com 57% tendo uma visão negativa e 39% uma positiva, embora os democratas fossem mais favoráveis ao socialismo do que ao capitalismo.
Amy Koch, estrategista republicana, disse duvidar que o rótulo de comunista amplie o apelo do partido entre os eleitores mais jovens ou independentes. “Simplesmente não acho que o comunismo tenha o mesmo significado para quem tem menos de 55 anos”, afirmou ela.
A deputada federal Suzan DelBene, que preside o comitê de campanha democrata da Câmara, disse em um comunicado que os republicanos estavam “recorrendo a ataques desesperados que, na verdade, não têm a ver com questões econômicas”.



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