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Cosan e Shell abandonam negociações sobre capitalização da Raízen, diz fonte

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LONDRES, 3 Mar (Reuters) - As negociações sobre o processo de capitalização da produtora de açúcar e etanol Raízen fracassaram depois que os coproprietários Cosan e Shell não chegaram a um acordo, disse uma fonte familiarizada com o assunto.

Na terça-feira, o presidente-executivo da Shell no Brasil disse que a empresa estava comprometida em investir R$3,5 bilhões na maior produtora mundial de açúcar e que também esperava que outro acionista pudesse contribuir com mais R$3,5 bilhões.

Com as negociações sobre o aumento de capital agora concluídas, a Shell ainda pretende prosseguir com a injeção de capital e apoiar a Raízen nas discussões contínuas com bancos e credores, disse a fonte.

Durante as negociações, a Shell teria se comprometido a colocar R$3,5 bilhões, a Cosan R$1 bilhão e o bilionário brasileiro e presidente da Raízen, Rubens Ometto, R$500 milhões, disse a fonte.

A Shell e a Cosan, um conglomerado industrial criado por Ometto, detêm cada uma 44% da Raízen.

A Raízen e a Cosan não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters.

A Raízen registrou uma série de prejuízos e um aumento acentuado da dívida líquida nos últimos trimestres, como resultado de investimentos caros e condições climáticas adversas que afetaram negativamente as safras, levando-a a alertar, em fevereiro, sobre uma “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando.

O Valor Econômico e a Bloomberg News noticiaram anteriormente o desenvolvimento das negociações.

A Cosan disse que não poderia igualar o apoio financeiro que a Shell concordou em oferecer à Raízen, enquanto algumas das outras propostas da Cosan foram rejeitadas pela Shell, informou a Bloomberg, citando uma fonte.

Fundos administrados pelo Banco BTG Pactual , também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar dinheiro na Raízen, segundo a reportagem.

A dívida líquida da Raízen subiu para R$55,3 bilhões no final de dezembro devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.

(Reportagem de Stephanie Kelly e Abu Sultan em Bengaluru)

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