Por Fernando Kallas
NOVA YORK, 18 Jul (Reuters) - Julen Lopetegui sabe bem o que é ver a Argentina ser desmontada pelo jogo de passes da Espanha, mas o ex-técnico da seleção espanhola disse que a final da Copa do Mundo deste domingo não será uma repetição nostálgica daquela goleada em um amistoso disputado em Madri.
Lopetegui era o treinador na última vez que a Espanha enfrentou a Argentina, em uma vitória por 6 x 1 no recém-inaugurado Estádio Metropolitano em 2018, sem Lionel Messi. A Espanha exibiu aquele tipo de domínio no meio-campo capaz de fazer os adversários se sentirem como se estivessem perseguindo sombras.
“É uma lembrança maravilhosa, porque acho que fizemos uma partida brilhante contra uma grande seleção como a Argentina”, disse Lopetegui.
“Conseguimos fechar os espaços no meio-campo, pressionar bem à frente e a equipe teve um bom desempenho. Mas são duas partidas completamente diferentes. Estamos falando de uma final de Copa do Mundo, não de um amistoso.”
A Espanha chega após uma vitória por 2 x 0 sobre a França na semifinal, na qual levou o ataque mais perigoso do torneio a um estado de frustração e, até depois de 80 minutos de bola rolando, não havia permitido nem uma única finalização certa.
Os jogadores da França sugeriram que deveriam ter pressionado a Espanha mais à frente e com mais intensidade. Lopetegui, que treinou o Catar nesta Copa do Mundo e fez parte da seleção espanhola como goleiro em 1994, disse que esse plano parece melhor no quadro tático do que quando a bola começa a zunir pelos triângulos geométricos da Espanha.
“A teoria é muito simples, mas é verdade que pressionar uma seleção como a Espanha não é simples, principalmente por causa da capacidade coletiva deles de entender o jogo”, afirmou.
“Não se trata de pressionar um ou dois jogadores. Ao contrário, é preciso ser capaz de pressionar um grande número de possíveis destinatários da bola no momento certo, no espaço certo, na hora certa e nas situações certas de tomada de decisão.”
Então, acrescentou, surge o outro problema. Os jogadores da Espanha não são apenas parte de um sistema. Eles são bons o suficiente para escapar da armadilha por conta própria.
“Há a habilidade individual deles — além da coletiva — de sair sozinhos de situações que muitos jogadores não são capazes de lidar, para superar essa pressão e, naturalmente, enfraquecer o adversário”, disse Lopetegui.
Ambas as finalistas, continuou, querem a posse de bola e têm jogadores à vontade para ditar o ritmo da partida. No entanto, a construção de jogadas com calma da Espanha, partindo da defesa, dá a ela uma vantagem especial.
“Contra uma equipe que quer ter a posse de bola tanto quanto a Espanha, o adversário naturalmente vai querer pressioná-la, mas, ao mesmo tempo, isso também é uma oportunidade para a Espanha encontrar mais espaços”, disse.
“No futebol, o cobertor cobre seus pés, mas às vezes deixa sua cabeça exposta, não é mesmo?”
(Reportagem de Fernando Kallas)




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