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Cortes de energia renovável reduzem até 2030, mas seguirão elevados, prevê ONS

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Cortes de energia renovável reduzem até 2030, mas seguirão elevados, prevê ONS
Cortes de energia renovável reduzem até 2030, mas seguirão elevados, prevê ONS

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 7 Jul (Reuters) - Os cortes de geração das usinas eólicas e solares no Brasil deverão se reduzir até 2030, mas continuarão em níveis elevados, já que o sistema elétrico permanecerá com sobreoferta e sem uma inserção expressiva de tecnologias de armazenamento como as baterias, estimou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta terça-feira.

Na apresentação do Plano da Operação Energética de 2026 a 2030, o ONS avaliou que as restrições impostas à geração renovável se manterão elevadas, especialmente durante a safra de ventos, nos meses de agosto e outubro, sendo mais frequentes na faixa horária de 7h às 15h e mais intensas aos domingos.

Os cortes de geração se tornaram um problema crescente para a indústria eólica e solar no Brasil desde meados de 2023. As limitações de produção, motivadas principalmente por sobreoferta de energia na rede e gargalos de transmissão, têm imposto prejuízos bilionários às empresas do setor e levado ao cancelamento de investimentos.

Segundo o ONS, haverá uma redução da frequência de cortes de eólicas e solares realizados na operação em tempo real do setor, de 19% das horas em 2027 para 14% das horas em 2030, devido à combinação de crescimento da demanda de energia, expansão da rede de transmissão e menor ritmo de inserção de novas usinas renováveis no sistema.

Em magnitude, as restrições poderão atingir até 40 gigawatts (GW) em determinados momentos do dia, em todos os anos entre 2027 e 2030. Esses picos serão puxados pelos cortes classificados como "energéticos", impostos para equilibrar a rede devido a uma geração acima do consumo.

Já as limitações ligadas à confiabilidade do sistema elétrico, como quando ocorrem problemas em equipamentos, serão menos frequentes, variando de 7% das horas em 2027 a 4% das horas em 2030.

A situação dos cortes até 2030 poderá ser atenuada tanto por um crescimento mais forte da demanda por energia no Brasil, com destaque para a ampliação do setor de data centers, quanto por soluções de armazenamento de energia que absorvam a geração excedente, como as baterias, apontou o ONS. 

CARGA E DATA CENTERS

O ONS estima ainda que a carga de energia elétrica no Brasil irá passar de 83,8 GW neste ano para 98,8 GW em 2030, um crescimento de 17,9%, com destaque para o impulso dado pelos data centers, empreendimentos altamente demandantes de energia.

A expectativa é de que os data centers ligados à rede elétrica nacional passem de um consumo de 0,3 GW médio em 2026 para quase 3,5 GW médios em 2030.

A oferta de geração no Brasil, por sua vez, deverá crescer dos atuais 256 GW para 286,5 GW em 2030, com destaque para a expansão da geração solar distribuída.

Os pequenos sistemas solares, espalhados em telhados e fachadas, já são a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, atrás apenas das hidrelétricas. A fatia dessa tecnologia na matriz deverá subir de 18,1% do total para 23,5% no fim do horizonte. 

Mesmo com a expansão da oferta projetada para os próximos anos, o ONS manteve uma recomendação de que o governo faça leilões anuais para contratação de mais potência -- isto é, de usinas que não precisam gerar o tempo todo, mas que fiquem disponíveis para serem acionadas em momentos de pico de demanda.

Segundo o órgão, os dois certames que ocorreram em março deste ano não foram suficientes para cobrir todo o déficit de potência até 2030, de maneira que novas licitações deveriam ser realizadas.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Marta Nogueira)

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