Por Joyce Lee e Kyu-seok Shim
SEUL, 20 Ago (Reuters) - A Presidência da Coreia do Sul condenou o lançamento de mais de 10 mísseis balísticos de curto alcance pela Coreia do Norte na quinta-feira e ordenou que suas Forças Armadas mantivessem total prontidão durante os exercícios conjuntos em andamento com os Estados Unidos.
O lançamento ocorreu depois que Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong Un, condenou na quarta-feira os exercícios militares entre os EUA e a Coreia do Sul, apesar da ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, de reduzir substancialmente a participação dos EUA nos exercícios.
O gabinete presidencial sul-coreano convocou uma reunião de emergência de segurança, da qual participaram autoridades do Ministério da Defesa e das Forças Armadas, depois que a Coreia do Norte disparou os mísseis da região de Pyongyang em direção ao mar, a leste da Península Coreana, informou em comunicado.
“O lançamento do míssil balístico é um ato grave que viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou o comunicado, exortando a Coreia do Norte a interromper imediatamente tais ações.
Os mísseis voaram cerca de 300 quilômetros em direção ao mar, informou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul.
O ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu-back, disse aos parlamentares que acredita-se que os mísseis balísticos de curto alcance sejam lançadores múltiplos de foguetes de 600 mm, acrescentando que Seul vem monitorando-os, pois eles poderiam ser potencialmente posicionados perto de sua fronteira com o Sul.
A Coreia do Norte já havia descrito o sistema de 600 mm, conhecido externamente como KN-25, como capaz de transportar ogivas nucleares táticas.
Ahn afirmou, no início do dia, que a Coreia do Norte possui entre 80 e 120 ogivas nucleares.
Os exercícios militares da Coreia do Sul e dos EUA foram encurtados e serão encerrados na sexta-feira, depois que o presidente Donald Trump ordenou uma redução substancial na participação dos EUA e afirmou que desejava retomar as negociações diplomáticas com o líder norte-coreano Kim Jong Un.
Trump afirmou na segunda-feira que havia recebido uma resposta do líder norte-coreano após a redução. Mas a irmã de Kim, Kim Yo Jong, disse na quarta-feira que não tinha conhecimento de nenhuma comunicação recente entre os líderes dos dois países, ao mesmo tempo em que afirmou que a “política hostil” dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte não havia mudado.
Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos em Seul, disse que o lançamento parecia ter como objetivo ressaltar que a advertência de Kim Yo Jong, feita um dia antes, “não era mera retórica”.
Ele afirmou que o lançamento provavelmente serviu a vários propósitos, incluindo sinalizar oposição aos exercícios militares entre a Coreia do Sul e os EUA, expressar descontentamento com as recentes discussões sobre o arsenal nuclear da Coreia do Norte e alertar potências externas contra especulações sobre as questões de segurança de Pyongyang.
“É uma mensagem de que as questões relativas à segurança da Coreia do Norte devem ser decididas pela própria Coreia do Norte”, disse Yang, acrescentando que o lançamento também poderia ter sido usado para testar sistemas de mísseis aprimorados.
(Reportagem de Heejin Kim, Kyuseok Shim e Joyce Lee, Hyunjoo Jin em Seul, e Kaori Kaneko em Tóquio)



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