Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 22 Set (Reuters) - O plantio de soja do Paraná na temporada 2026/27 atingiu 15% da área projetada para o Estado, um salto de 13 pontos percentuais em relação à semana anterior diante das chuvas favoráveis para as lavouras da oleaginosa, o que deixou os trabalhos no ritmo mais acelerado desde 2023, apontou nesta terça-feira o Departamento de Economia Rural (Deral).
As chuvas abundantes e favoráveis para a atividade de plantio de soja ocorrem em meio à ocorrência do fenômeno climático El Niño, que geralmente traz mais precipitações ao Sul do país. A umidade excessiva, por outro lado, resulta em problemas para a safra de trigo em período de colheita.
Na mesma época do ano passado, o plantio de soja havia alcançado 13% da área projetada. Considerando os últimos anos, o índice atual só fica atrás dos 16% registrados em 2023, com produtores contando com umidade adequada, segundo o órgão do governo do Estado.
"De modo geral, as chuvas estão bastante favoráveis (para a soja), problemas pelo excesso são pontuais. O avanço no plantio se deve principalmente por janelas de plantio na região oeste e sudoeste boas na última semana, e com isso o produtor aproveitou", disse o especialista do Deral Edmar Gervásio.
O Paraná está entre os três maiores produtores de soja do Brasil. A primeira estimativa de safra do Deral indica uma safra recorde da oleaginosa em 2026/27, de 22,6 milhões de toneladas. A previsão mensal deve ser atualizada na quinta-feira.
A aceleração dos trabalhos indica ainda uma janela climática adequada para a segunda safra de milho, semeada após a colheita da soja, no início do próximo ano. "Para o produtor, principalmente da região oeste, isto é muito bom. Diminui bastante o risco de eventual atraso no plantio do milho."
CORTE NA SAFRA DE TRIGO
O Paraná, também um dos maiores produtores de trigo do Brasil, está sofrendo por outro lado com as chuvas em época de colheita, fase em que o cereal sofre com a umidade excessiva.
Segundo o agrônomo do Deral Carlos Hugo Godinho, especialista em trigo, as chuvas deverão levar a uma redução ainda maior na safra do cereal do Paraná.
O Estado estimou no mês passado a sua colheita de trigo em 2,37 milhões de toneladas, uma queda anual de 18%, em meio a uma área plantada menor.
Produtores plantaram menos em 2026 devido a preços pouco atraentes e preocupações com o El Niño, o que deve colaborar para um aumento das importações do Brasil.
Godinho afirmou que o Estado ainda tem cerca de metade da safra para ser colhida, e que a umidade elevada resulta em doenças fúngicas, brotação na espiga, perda de peso de grãos e da qualidade, além de maiores custos para secagem antes da armazenagem.
Até a semana passada, 75% da safra de trigo do Paraná era avaliada em boa condição, índice que caiu para 64% esta semana. O total de lavouras em estado ruim passou de 3% para 7%, segundo boletim divulgado nesta terça-feira pelo Deral.
Os dados quantitativos da safra serão atualizados na quinta-feira. Godinho não adiantou os novos números.
O Estado colheu 46% da área semeada no Estado este ano, avanço ante os 29% registrados na semana passada, ainda em ritmo mais acelerado no comparativo anual (41%).
(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)
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