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CEO da Nestlé diz que conflito no Oriente Médio provoca inflação e eleva custos de fornecedores

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CEO da Nestlé diz que conflito no Oriente Médio provoca inflação e eleva custos de fornecedores
CEO da Nestlé diz que conflito no Oriente Médio provoca inflação e eleva custos de fornecedores

Por Gabriel Araujo e Richa Naidu

CAÇAPAVA, 10 Set (Reuters) - A Nestlé está aumentando os preços, reformulando produtos e eliminando itens pelos quais os consumidores não estão dispostos a pagar mais como forma de lidar com os efeitos do aumento dos custos de energia, frete e matérias-primas após o conflito no Oriente Médio, disse o presidente-executivo da companhia, Philipp Navratil.

Embora a maior fabricante mundial de alimentos embalados tenha sentido pouco impacto direto nas vendas devido à guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que já dura seis meses, o executivo afirmou que o conflito está contribuindo para as pressões inflacionárias enfrentadas pelos fornecedores.

"Todos os nossos fornecedores terão algum aumento de custos", disse Navratil à Reuters na quarta-feira. "Alguns desses (custos) virão até nós e teremos que mitigá-los, garantindo que os consumidores acompanhem caso tenhamos que aumentar preços."

Além de elevar preços, a Nestlé está reformulando produtos, buscando "incansavelmente" economia de custos e eliminando produtos pelos quais os consumidores "não estão dispostos a pagar", disse Navratil, sem dar detalhes.

O Oriente Médio representa cerca de 2% a 3% do faturamento total da empresa suíça, que gira em torno de 90 bilhões de francos suíços (US$111 bilhões), o que significa que o impacto direto nas vendas foi limitado.

"Mas haverá efeitos primários em termos de inflação no que compramos, em termos de custos de insumos", disse.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou que o mundo pode estar caminhando para mais um período de inflação alimentar.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha as variações mensais de uma cesta de produtos alimentícios comercializados internacionalmente, registrou uma média de 131,1 pontos em julho, acima dos 130,3 pontos de junho e o nível mais alto desde janeiro de 2023.

A Nestlé, que possui mais de 2.000 marcas, incluindo Nescafé, Maggi e KitKat, vendeu recentemente uma participação em seu negócio de água engarrafada e também está deixando o negócio de vitaminas.

Mas Navratil, que foi incumbido de simplificar o foco da empresa em suas marcas principais, também afirmou que a Nestlé também pode adquirir marcas, uma vez que a empresa revisa seu portfólio periodicamente.

"Isso não significa que a Nestlé esteja apenas se desfazendo de ativos. Como sempre, estamos abertos a adquirir empresas que sejam estrategicamente importantes", disse, sem dar detalhes.

Em outro tópico, Navratil afirmou que os fabricantes de alimentos deveriam participar das discussões sobre a proposta de inclusão de advertências sobre açúcar, sal e gordura na parte frontal das embalagens na Índia.

A Reuters noticiou em agosto que empresas estavam fazendo lobby contra esses avisos, de acordo com documentos e registros analisados.

Navratil afirmou que a Nestlé já removeu milhares de toneladas de açúcar, sal e gordura de seus produtos, mas argumentou que a rotulagem precisa ser feita da maneira correta e deve refletir o tamanho das porções.

(Reportagem de Gabriel Araujo e Richa Naidu)

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